2007-11-27 10:23:00
Nas últimas semanas temos assistido a um verdadeiro show do que é a anti-democracia, show este protagonizado por Hugo Chávez, o novo “caudilho” da América Latina que, através de medidas ditatoriais, disfarçadas de atos democráticos, pretende perpetuar-se no poder.
Haveria alguma semelhança entre Lula e Chávez já que Lula não cansa de defender seu “mui amigo”? Me parece que a resposta é fácil. Eles são exatamente semelhantes no atacado com algumas diferenças no varejo.
Chávez pretende perpetuar-se no poder. Lula também. Embora Lula diga que não, em política “não” é sim e “sim” nem sempre é sim. Se prestar-mos bem atenção veremos que já se começa a falar em terceiro mandato de forma muito velada e como Lula consegue aprovar o que quer no “seu” Congresso, aprovar o terceiro mandato será fácil e daí para reeleições infinitas será só mais um passo.
O Caudilho boliviano conseguiu recentemente, aprovar no “seu” Congresso, uma série de leis de exceção como governar por decretos, por exemplo. Aqui, embora Lula, quando candidato, tivesse combatido o “governar por decreto”, ele já é, de longe, o presidente que mais decretos assinou na história recente da república, provando uma das máximas da política que é: “falo o que o povo quer ouvir e faço aquilo que me convém”. Um exemplo disso é a CPMF, tão combatida por todos os candidatos e agora travestida de “condição indispensável” para governar, cuja aprovação se dará em detrimento da vontade da nação. ( Um ditador não se importa com os anseios da nação).
A diferença fundamental entre Lula e Chávez é que o boliviano esta deitado sobre petrodólares e, assim, “compra” a vontade do povo; o brasileiro esta deitado sobre petróleo a sete mil metros de profundidade, cuja tecnologia para atingi-lo ainda não existe, porém muito bem colocado para a opinião pública como a redenção do país e solução para todos os males. (Atualmente a profundidade máxima que se consegue extrair petróleo é dois mil metros). Mas, se Lula não tem petrodólares, tem a cesta básica, o bolsa família, o MST, os índios, os quilombolas e, mais importante, um bando de políticos que se vendem por um prato de lentilhas.
E como ficamos nós, produtores rurais deste rico país, diante deste caos político em que estamos mergulhados?
Nós vamos continuar produzindo cada vez mais, ganhando cada vez menos, e sendo culpados por todos os males. Vamos continuar sendo culpados pela destruição das matas, pelas queimadas, poluição dos rios e da atmosfera; pelos alimentos contaminados, pelo aquecimento global, pelo derretimento das geleiras, pelas loucuras do clima e, finalmente, pela fome no mundo.
O resto vai continuar tudo igual!
Alberto Eduardo Rings
Eng. Agron. Agropecuarista
Sócio do Sindicato Rural











