2007-11-18 17:20:00
Com a participação ativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Governo fechou na última quarta-feira um acordo para criar o que considera ser o clima político ideal com o objetivo de salvar o mandato do presidente licenciado do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), e, ao mesmo tempo, aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011.
Pelo acordo, Renan considera "fato consumado" a renúncia à presidência do Senado, o PMDB dá o maior número possível de votos para salvar o mandato dele e ajudar na prorrogação da CPMF, e a bancada do PT, com 12 senadores, aproveita que o voto é secreto para também descarregar a maioria dos votos a favor do peemedebista.
O entendimento foi fechado numa reunião realizada no fim da tarde de quarta-feira, no Palácio do Planalto – precedida de várias reuniões de Renan com o presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), que tem sido o elo principal da negociação com Lula e assessores presidenciais. Participaram, diretamente, das articulações, além de Tião Viana e do presidente da República, o chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Walfrido Mares Guia, e o senador Edison Lobão (PMDB-MA).
Além do interesse da administração federal na absolvição dele, por causa da CPMF, o presidente licenciado do Congresso tem a expectativa de obter o voto da maioria dos senadores por avaliar que a acusação de ter sociedade fantasma com o usineiro e ex-deputado João Lyra (PTB-AL) em duas emissoras de rádio e um jornal de Alagoas também é uma ameaça a outros colegas – muitos são donos de meios de comunicação social em associações com prepostos, laranjas e afins.
Na avaliação do Poder Executivo e de Renan, "já está de bom tamanho o nível de solidariedade" para a absolvição dele. Na outra ponta da negociação política, porém, o Executivo demonstra empenho especial na salvação do presidente licenciado do Senado porque "o nível de solidariedade em cima da CPMF não é bom". Um assessor de Lula definiu assim a situação para a votação da contribuição: "Não podemos arriscar nada, mas nada mesmo."
Repeteco – A idéia é "replicar" no plenário da Casa, nesta segunda votação de pedido de cassação de Renan, o procedimento adotado no plenário da Câmara em 2005, quando foi montada uma verdadeira linha de montagem de absolvições dos deputados "mensaleiros" e tudo se resumiu à cassação dos ex-deputados José Dirceu (PT-SP), Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Pedro Corrêa (PP-PE). O novo pedido de cassação de Renan foi aprovado no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar por 11 votos a 3, na quarta-feira, depois da leitura do relatório do senador Jefferson Peres (PDT-AM). Peres viu indícios claros de quebra de decoro parlamentar na sociedade de Renan com Lyra.
Duas semanas atrás, Renan votou contra o fechamento de questão em favor da CPMF na reunião da bancada do PMDB, para dar respaldo ao senador Pedro Simon (PMDB-RS) e tentar o apoio dele no plenário. Ele pediu abertamente a Lula que interfira em seu favor e não deixe a bancada do PT "solta". A maioria dos petistas tende a salvar Renan, mas exige garantia de que ele não volte mesmo à Presidência.
Para Lula, a senha foi dada por Tião Viana. Segundo o senador, Renan mandou dizer que esse assunto era "fato consumado".










