2007-11-17 12:24:00
Os Estados de Mato Grosso do Sul e Paraná são rotas de 80% de todos os agrotóxicos contrabandeados que entram no Brasil. A informação é do assessor jurídico do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola (Sindag), Paulo Roberto Calmon, que está em Dourados acompanhando de perto o trabalho da Polícia Federal no combate ao esquema de contrabando, denominada Operação Ceres.
Conforme Calmon, os produtos pirateados ou contrabandeados provocam um prejuízo anual de US$ 360 milhões por ano, o equivalente a R$ 700 milhões. "Estimamos que o comércio de produtos ilegais seja responsável por 10% do comércio de produtos no mercado brasileiro, que fatura em média US$ 4 bilhões por ano", disse.
O Sindag vem fazendo campanhas nos últimos anos para tentar conscientizar os produtores rurais de todo país dos riscos em utilizar produtos sem origem. De acordo com o Sindicato, os pirateados quase sempre são batizados, ou seja, misturados com outros elementos que comprometem a eficácia e a segurança nas aplicações.
Com relação aos produtos contrabandeados, na maioria das vezes fabricado na China ou no Paraguai, Calmon alega que eles têm um composição química que difere dos padrões usados na agricultura brasileira, fator que pode comprometer o resultado final de uma lavoura. "O produtor faz um investimento muito alto para produzir, por isso não compensa se arriscar em aventuras. Sem contar que em caso de problemas com a aplicação dos produtos ele não tem para quem reclamar", alerta.
Durante a Operação Ceres, na quarta-feira, a Polícia Federal aprendeu 463 quilos de agrotóxicos ilegais em quatro Estados Brasileiros: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Os produtos, quase sempre, chegam às lavouras de forma camuflada em outras cargas. Segundo os técnicos uma pequena quantidade pode representar altos valores em dinheiro.
Um revendedor de Dourados, que preferiu não ter o nome divulgado na reportagem, disse que apesar da operação da PF, o uso de produtos ilegais ainda é muito comum em Mato Grosso do Sul, principalmente em Dourados e região. "No geral os produtos ilegais custam em média 50% mais baratos em relação aos comercializados aqui no Brasil. Pra mim é uma diferença que não vale a pena, por causa dos riscos que se corre", disse.
Na operação realizada pela PF descobriu-se que o comando do esquema funcionava em Sete Quedas, Amambai e Primavera do Leste (MT) e que os envolvidos eram, na maioria, produtores rurais e empresários do ramo agropecuário.










