2007-11-16 18:39:00
Pela primeira vez desde que foram punidas pela prefeitura de Campo Grande, em abril deste ano, por manter um relacionamento amoroso as professoras Carmem e Noyr deram entrevista nesta sexta-feira (16 de novembro) em rede nacional, à Rede TV. Elas disseram que ainda estão muito abaladas, mas que a punição serviu para fortalecer o relacionamento entre elas. “Uma teve que apoiar a outra”, disse Carmem.
As professoras davam aulas em uma escola rural da Reme (Rede Municipal de Ensino). Uma delas teve o contrato rescindido pela prefeitura em abril e a outra, que era efetiva, foi remanejada no mesmo mês. Elas acusam a prefeitura de discriminação. Os nomes completos das docentes foram preservados, a pedido delas, para evitar novos constrangimentos.
”Perdemos o chão. Não acreditávamos que pudesse acontecer isso na educação, que fala em pluralidade”, continuou Carmem. As duas ainda sofrem com a punição. Carmem faz terapia para se recuperar do trauma. Noyr não teve essa opção. “Estou sem convênio, não tenho como fazer tratamento”, disse.
Elas não tiveram os rostos revelados durante a entrevista; foram filmadas de costas. Mas foi possível ver que ambas enxugavam lágrimas. No entendimento do advogado José Belga Assis Trad, que também participou da entrevista, a punição da prefeitura às professoras gays teve o objetivo de esconder da comunidade a orientação sexual delas. Assis Trad, que é primo do prefeito Nelson Trad Filho (Campo Grande), defende as professoras em duas ações.
A prefeitura já responde uma ação de indenização trabalhista na 7ª vara de trabalho pela rescisão em abril de um dos contratos, que ia até junho. A audiência de instrução está marcada para 9 de janeiro. Ambas também vão ingressar na justiça comum estadual com uma ação de indenização por danos morais contra a prefeitura.
Outro lado – No último dia 7, quando o caso da punição às docentes veio à tona, o prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho, disse que as professoras foram penalizadas porque, no entendimento dele, tinham um “comportamento inadequado” com a função que exerciam e que a decisão foi respaldada no estatuto do servidor.
Na ocasião, Trad Filho disse ainda que não discrimina os homossexuais, mas deixou a entender que não permitiria que um filho ou uma filha dele fossem alunos de uma professora gay. “Se você tivesse seu filho de cinco anos estudando lá você iria pensar o quê?”, questionou.











