2007-11-08 12:01:00
Policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão em fazendas em Antônio João na fronteira com o Paraguai. Duas pessoas, funcionários de fazendas, foram presas por manterem armas sem registro. Pelo menos seis armas e uma motosserra foram apreendidas nas fazendas. As buscas também foram realizadas nas casas dos índios.
Nada foi apreendido. O local é uma zona de litígio entre fazendeiros e índios guarani kaiowa, que reivindicam a criação de uma reserva de 9.300 hectares, já reconhecida pela União.
O mandado foi expedido pela juíza Lisa Taubenblatt, da Justiça Federal de Ponta Porã. A Polícia Federal realizou prisões e teria apreendido armas nas fazendas. A PF de Ponta Porã ainda não divulgou a identidade dos presos nem a relação do que foi apreendido.
A operação foi desencadeada por volta das 6h de hoje e envolveu cerca de 30 policiais federais. O capataz da fazenda Fronteira, que pertence ao ex-prefeito de Antônio João, Dácio Queiroz, está entre os presos.
Dácio esteve com o governador André Puccinelli (PMDB) para “comunicá-lo” da ação da PF, mas não quis comentar a operação.
Espiral de violência – Os índios reivindicam uma área de 9.300 hectares. As fazendas compõem a terra Nhanderu Marangatu, homologada (última etapa do processo de criação de uma reserva indígena) em março de 2005 pela União, mas os ruralistas conseguiram um decisão no STF (Supremo Tribunal Federal) que paralisou o processo.
A região de Campestre, o distrito de Antônio João, é um dos pontos mais sensíveis da disputa por terras entre fazendeiros e índios em todo o País, onde a violência dura décadas. Foi naquela região que o líder indígena Marçal de Souza foi morto em 1983.
Em 25 de dezembro de 2005, o guarani Dorvalino Rocha foi morto a tiros por uma equipe de seguranças da empresa Gaspem, de Dourados, contratada pelos fazendeiros da região.
O segurança Carlos Gimenes Brites, 30 anos, assumiu a autoria dos disparos e foi denunciado no ano passado pelo Ministério Público Federal. Brites diz que agiu em “legítima defesa”. Os índios relatam que Dorvalino foi executado.
Nas últimas semanas, os índios tornaram a denunciar intimidações dos fazendeiros. Seguranças contratados pelas fazendas seriam responsáveis por disparos nas proximidades do local onde os índios estão acampados.












