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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Conferência quer mapear causas da violência no Estado

2007-11-06 18:16:00

O que é violência? A associação imediata que muitos fazem sobre esse questionamento leva a imagens como mortes, assaltos ou outros dos diversos crimes que assolam a sociedade, ou mesmo à certeza de que um poder paralelo oprime a população. Para alguns, porém, essa é a idéia que se tem sobre as conseqüências da criminalidade na vida do brasileiro. Em outras palavras, de nada adiantaria lutar contra os sintomas: é preciso combater a origem dessa patologia social.

Para ir mais fundo, e quem sabe se encontrar uma solução que amenize o problema, Campo Grande será sede a partir desta quarta-feira (7 de novembro) de um debate que buscará a origem da violência (ou formas de violência) no Estado. A conferência “MS contra a Violência: superação da violência e promoção de uma cultura de paz” colocará lado a lado poder público e sociedade organizada para, juntos, traçarem um plano de metas para impedir a consolidação no Estado de realidades já vividas em outras partes do Brasil.

“Não queremos que Mato Grosso do Sul vivencie a realidade dos morros cariocas ou da periferia de São Paulo, onde morrem pessoas a todo o tempo”, afirmou o advogado José Augusto Lopes Sobrinho, presidente da Comissão “MS contra a Violência” na Seccional do Estado da Ordem dos Advogados do Brasil. “Iremos reunir uma grande gama da sociedade civil, dos governos estadual e municipais e do Legislativo para debater as questões da violência e criminalidade de forma técnica”, explicou.

Sobrinho informou que as discussões buscarão fugir do lugar comum, que inclui o aumento do efetivo policial ou aparato de segurança, mesmo porque o aumento de recursos à curto prazo na administração pública não é garantido. “Ninguém quer enforcar o governo ou as prefeituras com a questão técnico/financeira”, salientou. A meta, explicou, é deixar claro o papel da sociedade e da administração pública no combate à violência – o que vai além da repressão ao crime.

Antônio José Ângelo Motti, coordenador científico da conferência, afirmou que a meta dos debates é “atacar os dois níveis da violência: a origem e sua manifestação”, referindo-se aos fatores sociais que levam a pessoa a se voltar para a criminalidade – que vão desde dificuldades financeiras e intolerância aos vícios, dentre diversos outros elementos. “A violência é um fenômeno humano, por isso, sempre há a possibilidade dela surgir. Ela reflete como o homem pensa e age. Mas, tendo as vacinas certas, podemos resistir mais”, considerou.

Matizes – Motti ressaltou que o evento será dividido em seis painéis temáticos, que abrangem elementos hoje responsáveis ou que são reflexo do avanço da violência. “Panorama legal” da questão da segurança; “Políticas Públicas” em áreas como Saúde, Cultura e Educação; “Comunicação” e abordagem da mídia sobre o tema; “Ações e políticas de segurança”; um painel “Especial” abordando temas ligados ao gênero, raça, opção sexual e preconceito; e “Controle Social”.

Desses debates, declarou Motti, será elaborado um plano operativo para o enfrentamento da violência. “Não será uma ação vertical, do governo para a sociedade; mas uma ação coletiva, com a sociedade, reconhecendo os limites e possibilidades de cada ente participante”, opinou, destacando também que “a violência não é uma questão de governo, e sim de Estado, onde administrações e população têm de ter o combate como uma meta”.

O “plano” inclui uma agenda de ações prioritárias, para as quais se espera uma resposta em até 24 meses. Para acompanhar seu cumprimento, será composto um fórum permanente, com representantes dos poderes Executivo, Legislativo, Judiciário, sociedade organizada e Exército. “Será um grupo eclético, com representantes de todos os setores”, salientou Motti.

A conferência “MS contra a Violência” é mais um passo de um movimento deflagrado nas ruas, com passeatas e discussões setorizadas. Um reflexo de que a sociedade não suporta mais o medo e a sensação de insegurança. Agora, as mesmas pessoas que impunham cartazes da indignação terão novas perguntas a fazer: ao invés de deduzir o que é violência, precisam perceber até onde têm participação nela, e mais importante, o que podem fazer para combatê-la

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