2007-10-31 20:32:00
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse nesta quarta-feira que o preço do gás natural deve subir para os consumidores finais no Brasil. Durante visita a Londres, onde participa de uma conferência, o presidente falou a jornalistas sobre a decisão de reduzir o fornecimento de gás natural a distribuidoras no Rio e São Paulo.
Quando questionado se o preço do gás natural para os consumidores deve subir no médio e longo prazo no Brasil por falta de oferta, Gabrielli respondeu: "Sim, eu acho que você está certo". Ele não soube estimar um valor ou um prazo para o preço do gás natural subir, mas disse que a Petrobras não tem condições, "pelo menos no curto prazo", de atender a demanda por gás natural. Segundo dados do governo, o gás natural responde por 8,3% da energia consumida no Brasil em 2006.
A previsão da Petrobras é que esse número ultrapasse 12% até 2010. O Brasil tem a segunda maior frota mundial de carros movidos a gás natural, atrás apenas da Argentina. O presidente da Petrobras disse que o fornecimento de gás só foi cortado para as distribuidoras Ceg e Ceg-Rio porque as duas companhias estão consumindo hoje mais gás natural do que o que foi acertado no contrato.
Com o crescimento da demanda de gás natural por parte das usinas termelétricas, a Petrobras decidiu não entregar gás natural para as distribuidoras, por não ter condições de atender a demanda de todos. Gabrielli ressalta que a Petrobras suspendeu apenas o fornecimento da quantidade de gás natural que excede os contratos com a Ceg e a Ceg-Rio.
Devido à redução no fornecimento nas distribuidoras, alguns postos de gás natural no Rio já registraram aumento do preço. Nesta quarta-feira, uma liminar da Justiça do Rio determinou que a Petrobras retome o fornecimento de gás natural às distribuidoras. Gabrielli diz que a Petrobras já vem tentando há algum tempo renegociar os contratos com as distribuidoras.
"Gás natural não é um produto que você vai no supermercado e compra. Mercado de gás é contratual. Precisa haver contratos de longo prazo, envolvendo previsão de consumo e de produção", disse o presidente da Petrobras. "O monopólio (do gás natural) pertence às distribuidoras estatais. A Petrobras não tem como definir quem será o consumidor final do produto."









