2007-10-14 20:24:00
Em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não descarta ser candidato em 2014. “Se tiver de acontecer, a conjuntura do momento vai indicar.” A entrevista está na edição do jornal de domingo (14), que chegou às bancas de São Paulo neste sábado (13).
Lula defendeu o fim da reeleição, com aumento do mandato, e uma candidatura única da base para sucedê-lo. Ele argumentou que o governo ficaria “imobilizado” com vários candidatos aliados. “Há o cargo de presidente, de vice, dois senadores, governadores. Tem cargo para todo mundo”, disse.
O presidente disse que não vai se afastar da política quando deixar o governo, mas ressalta que quer viver uma vida “tranqüila”. “Pretendo voltar para o meu terreninho, lá em São Bernardo do Campo. Fazer o meu feijãozinho, meu coelhinho na panela de ferro, fumar um cigarrinho de corda, sentado perto do fogão de lenha. Obviamente vou continuar tendo atividade política. Mas nada de cargo nem como dirigente do PT”.
Mensalão
Questionado sobre as denúncias envolvendo o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, no escândalo do mensalão, Lula reafirmou que ainda não viu “evidências” do envolvimento de Dirceu. “Nem eu vi nem a Justiça viu ainda”, disse. Sobre a abertura de uma ação penal contra o ex-ministro, Lula repetiu o que já falou sobre o assunto: “Nem todo mundo que é indiciado é culpado. Nem todo mundo que não é indiciado é inocente”.
Afirmando estar “mais maduro” em relação ao início de primeiro mandato, em 2003, o presidente disse que preferiu lançar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) depois das eleições do ano passado. “Nós queríamos lançar o PAC em outubro do ano passado, mas tomei a decisão de não lançar porque não queria confundir o PAC com a questão eleitoral. Tinha consciência de que ganharia as eleições sem o PAC”.
‘Força de expressão’
Sobre sua vida pessoal, Lula afirmou que se sente isolado nos finais de semana em Brasília, que hoje tem menos tempo para almoçar do que quando trabalhava em fábricas e que usa palavrões. “Um palavrão quando soa como força de expressão ele é bonito. Ele é feio quando falado fora de hora. Eu sou assim.”
Questionado sobre o episódio envolvendo o repórter do jornal "New York Times", que escreveu uma reportagem afirmando que abusava da bebida, Lula disse duvidar que algum jornalista ou militante de movimento sindical já o tenha visto bêbado. Afirmou que a última vez em que bebeu “mesmo” foi na derrota do Brasil para a Holanda na Copa do Mundo de 1974.
Segundo ele, a reportagem foi “gratuita” e teve o objetivo de construir uma imagem negativa a seu respeito. “Fiquei puto porque, como pode um cidadão que nunca conversou comigo, que nunca tomou um copo de cerveja comigo, que nunca tomou um copo d’ água comigo, fazer uma matéria de que eu bebia. Isso me deixou muito puto.”










