2007-10-14 05:33:00
A época do ano não é a ideal para começar obras, por causa da proximidade do período chuvoso. Mas a alta do preço do cimento no último mês dá a dimensão do aquecimento da construção civil em Mato Grosso do Sul nos últimos tempos. De acordo com o sindicato que reúne 400 empresas de venda de material de construção civil no Estado, o Sindiconstru, de um mês para cá o preço de uma bolsa de 50 quilos de cimento subiu em até 21%, considerando o valor mínimo pelo qual o produto era vendido, R$ 14 por saco, e o valor máximo encontrado hoje, de até R$ 17,00, ou seja, R$ 3,00 de diferença.
Seguindo a lei clássica da economia, a da oferta e demanda, o aumento está relacionado ao alto consumo do produto, segundo o presidente do Sindicato, Fernando Cordeiro, informou ao Campo Grande News. A procura tem sido tanta que alguns depósitos chegam a enfrentar desabastecimentos, que acabam elevando o preço do produto básico em qualquer obra. Em Mato Grosso do Sul, são episódios pontuais de desabastecimento, mas em outros estados da região, o problema tem sido mais grave, diante do aquecimento da atividade. No Mato Grosso, o Sindicato da Construção Civil chegou a estimar o déficit de cimento em 35%.
Cordeiro disse que a entidade até já fez contato com a indústria do cimento para saber se há risco maior de desabastecimento no Estado e disse que a resposta foi de que está havendo um esforço de aumentar a produção para atender as expectativas do mercado. Só a Votorantim, uma das maiores do setor, anunciou investimentos da ordem de R$ 1,6 bilhão na ampliação de sua capacidade de produção. A empresa anunciou a reativação da unidade em Cocalzinho (GO) e a construção de outra planta em Xambioá (TO). A empresa tem uma unidade produtora em Mato Grosso do Sul, em Corumbá. A cidade também tem uma fábrica da Camargo Corrêa, empresa que também tem uma unidade em Bodoquena.
Mãos à obra – O presidente do sindicado varejista de material de construção, que também presidente uma associação de empresas do setor com autação em Campo Grande e boa parte do Estado, diz que o cimento é o principal exemplo do aumento das vendas no setor, por ser um item essencial em toda obra. De acordo com ele, desde o meio do ano a contrução civil vem registrando crescimento, tanto para obras de maior porte como de pequena monta, como as pequenas reformas e ampliações.
O pacote de incentivos fiscais lançados pelo governo, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento, embora as obras ainda não tenham se iniciado no Estado, a geração de empregos no País, que vem apresentando crescimento, e até a mudança de governo estadual, com a possibilidade de novos invesimentos são citados pelo empresário como fatores para esse boom. Um outro fator, talvez de maior peso, são as mudanças nas regras para financiamento habitacional por parte da Caixa Econômica Federal e também de bancos privados, que facilitaram o acesso ao crédito, com juros menores e prazos de pagamento mais elásticos.
Mais crédito equivale a novas obras, que resultam em mais vendas no setor, que passa a contratar mais. Cordeiro afirma que o número de empregos nas lojas de construção civil certamente aumentou, mas diz que um levantamento preciso está sendo feito e por isso não arriscou números do número de postos de trabalho atual nas lojas.








