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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Periscópio “Hasta la vista, baby!”

2007-10-13 17:19:00

 “Só agrava a situação de podridão existente na Casa. Isso rompe todos os limites.”

Com esta frase lapidar, o senador Jarbas Vasconcelos, que juntamente com o senador Pedro Simon foi expulso por seu partido da Comissão de Constituição e Justiça  do Senado, por não se submeterem, ambos, à mais vexatória, desmoralizante e abjeta situação de uma Casa Legislativa na História da República, definiu, com precisão, o grau da infecção moral galopante já atingido por aquela instituição.

No começo da  semana conversei informalmente com um membro histórico do PMDB de Amambai e ele me confessava seu desencanto com a conduta de um partido que teve em seus quadros  homens como Ulisses Guimarães e Tancredo Neves. A que ponto chegou essa agremiação.  Será que o PMDB ainda teria algo para se desfigurar, considerando-se que sua feição, desde a dissidência dos que formaram o PSDB, é essa de um valhacouto de políticos de carreira especializados em barganhas, na busca de benesses e sinecuras do Poder? No passado esse partido foi chamado de “ônibus”, visto abrigar políticos de todas as tendências ideológicas, sem cobrança de fidelidade ao programa da sigla.

O pobre PMDB de 2007 é uma caricatura daquele partido altaneiro de outrora que abrigava homens que lutavam contra a ditadura. Hoje mantém uma quadrilha formada por Renan, Almeida Lima, Valdir Raupp, Wellington Salgado, Romero Jucá, Sarney  e outras aberrações.

A decisão do PMDB revelou, da maneira mais acintosa e escrachada, o grau de manipulação com que o réu Renan Calheiros conduz seu próprio julgamento, por quebra de decoro, nos processos aos quais responde no Conselho de Ética. Como presidente do Senado ele indicou o lambe-botas Leomar Quintanilha para presidente do Conselho e influencia na escolha dos relatores dos processos que correm contra ele. E agora está mais do que claro que é graças a esse tipo de manipulação que o presidente do Senado consegue manter-se obstinadamente no posto, por maiores que sejam as pressões para que dele se afaste.

Mas, ao que parece, essa situação está prestes a se findar. Com a denúncia de que o safardana Renan andava espionando seus pares feita pela última edição da revista Veja, o clima no Senado, que já era bastante ruim, tornou-se praticamente irrespirável. Além disso, há a suspeita de que Renan preparava dossiês contra alguns senadores. Se tivessem um pouco de vergonha na cara, esses senhores já teriam defenestrado Renan no primeiro processo votado em plenário. Fizeram um acordo que, incrível, Renan não cumpriu e agora vêem-se pressionados cada vez mais pela burrada que fizeram e pela opinião pública. Mas, se Deus quiser – e Ele vai querer – Renan não escapa, pelo menos, do terceiro processo, aquele em que é acusado de usar “laranjas” para adquirir veículos de comunicação em Alagoas. Até porque o relator desse processo será o senador Jefferson Peres, um dos últimos íntegros do Congresso. Adiós! 

Os três motivos – Ver a cara do Lula e do Renan na televisão  me faz muito mal. Tenho urticárias.  Sinto verdadeira ojeriza por essas duas figuras. O que me salva é o controle remoto, acionado sempre que aparece um ou outro na tela da minha tevê. Até algum tempo atrás, andei colecionando fotos do Lula bêbado, mas eram tão asquerosas que acabei deletando do computador. Mas, existem outros que não consigo engolir, ou ver ou ouvir. Só para citar alguns: Marta Suplicy “relaxa e goza”, Almeida Lima o “sabujo”, Ideli a mal amada, Genoíno o “honesto”, Vanderlei Luxemburgo, Emerson Leão e agora recentemente o Caio Júnior que sempre arranja um culpado – desde que não seja ele mesmo – pela derrota de seu time. Existem mais alguns, mas  não importam agora. O que vem ao caso é que, de certa forma, estou até torcendo para que a agonia do Renan demore mais um pouco. Pode parecer incoerência com o que escrevi aí em cima e de certa maneira o é. Mas tenho três  boas razões para torcer pela delonga em se cassar o mandato do “rei do gado”. Primeiro motivo: é que ele não vai escapar de jeito nenhum. Sua situação ficou insustentável, porém ele não larga a cadeira da presidência do Senado. Segundo motivo: vê-lo se esfalfar naquela cadeira a cada novo pronunciamento de seus pares. Sei que é meio sádico, mas, cá entre nós, é orgástico, né!? Terceiro motivo: quanto mais ele durar na presidência, mais difícil será para o governo aprovar a CPMF. Como eu e você não queremos pagar esse imposto e adoraríamos ver o governo perder uma votação, vamos torcer juntos. Quem sabe um dia esses “caras” desapareçam da nossa vista.

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