2007-10-12 02:32:00
O arrendamento de terras para o plantio de cana não está atraindo os produtores rurais da região do Barreirinho e Protrerito, em Dourados, mesmo com as ofertas consideradas vantajosas em relação às outras culturas anuais, como a soja e o milho, por causa de dúvidas sobre o processo produtivo, avaliou o agrônomo Adelar Ferreira, do escritório regional da Iagro.
"Apesar de as usinas se mostrarem interessadas em se instalar naquela área, no limite com Fátima do Sul, o que poderia ser uma oferta vantajosa para a classe, os produtores ainda se mostram apreensivos aos impactos ambientais causados pelas queimadas e monocultura, correndo riscos de inclusive terem suas culturas alimentícias prejudicadas com a ação de pragas da cana", afirmou.
De acordo com o agrônomo, mais de 100 produtores daquela região se mostraram receosos quanto ao arrendamento proposto por usinas de álcool e açúcar. "Dois pontos desfavoráveis mais citados com relação ao plantio de cana estão no desgaste de solo, já que com as queimadas a matéria orgânica é destruída, o que requer um gasto maior para recuperar a área e as pragas da cana que podem invadir outras culturas", frisou o agrônomo.
O vereador Elias Ishy de Mattos – autor da lei que regulamentou as atividades de usinas em Dourados e proibiu as queimadas – constatou que uma futura usina está localizada a 16,5 quilômetros de Dourados, quando o mínimo permitido é de 20 quilômetros.
Conhecido pelas suas posições restritivas à atividade sucroalcooleira, o vereador citou as regiões do Barreirão e o Potrerito como das mais férteis do município, "o que vem contrariar a tese de muitos defensores da monocultura da cana, de que a cultura canavieira é uma ótima opção à recuperação de pastagens degradadas e de solos com baixa produção".










