2007-10-09 08:29:00
Em palestra proferida no seminário sobre os impactos ambientais da cana-de-açúcar, realizado na Câmara Municipal, no último dia 28, o coordenado regional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Jair Alves, passou a idéia que é preciso que seja a cultura da cana não garante desenvolvimento social, embora haja crescimemto econômico para o muncípio. Ele declarou que não é contra a geração de empregos.
Jair disse que em Naviraí, há 3.194 quilômetros quadrados, com 310 mil hectares de terras aproveitáveis (agricultáveis), com a ocupação de 230 mil hectares com pastagens (74%); 66 mil de lavouras (21%), outras lavouras (soja,milho,algodão, mandioca – 50 mil hectares (16%); cana-de-açúcar – 16 mil (5 %).
Durante o ano de 2006, segundo os dados do IBGE, a produção agrícola total de Naviraí foi de R$ 89,178 milhões, sendo que a a cana-de-açúcar teve participação de R$ 34,515 milhões (38%), contra os R$ 32,625 milhões (37%) da soja. a produção de milho, mandioca, trigo, algodão e feijão, rendeu para os produtores o total de R$ 22,048 milhões (25%).
Para a utlização da Usinav, no ano passado, foram, plantados 15,3 mil hectares com cana-de-açúcar em Itaquiraí e 16 mil hectares em Naviraí. com a instalação de novas usinas, começaram a aparecer lavouras de cana em Iguatemi (4,5 mil hectares) e em Eldorado (4,7 mil hectares).
O avanço da cana-de-açúcar entre os anos de 200 e 2007, no Brasil foi de 60% (4,88 milhões para 7,817 milhões), no Marto Grosso do Sul foi de 104% (98.960 hectares para 202,2 mil hectares) e em Naviraí foi de 62% (9,85 mil para 16 mil hectares).
segundo Jair Alves, o avanço do setor sucroalcooleiro no Brasil tráz preo cupações como a produção de alimentos – substituição de áreas; desenvolvimento sustentável ; influência negativa no meio ambiente, impacto ambiental dos recursos (solos, utilização de grande quantidade herbicidas e inseticidas), impacto ambiental nos recursos de águas (de superfície e escoamento de resíduos tóxicos), ar (queimadas, emissão de gazes que contribuem com o aumento da temperatura da terra e da camada de ozônio); aumento de problemas de saúde (mais precisamente respiratórios), vegetação natural (Destruição das reservas naturais), fauna selvagem (destruição das áreas de sobrevivência natural e das fontes de alimento – onças é um exemplo).
Jair demonstrou que o pantio de cana-de-açúcar leva a preocupação com a qualidade de vida dos trabalhadores rurais, muitas vezes utilizados como trabalhadores escravos e com baixos salários. De acordo com pesquisa realizada pela pesquisadora Maria Aparecida de Moraes Silva, professora livre docente da Unesp (Universidade Estadual Paulista), a vida útil dos trabalhadores que atuam na colheita da cana é por vezes inferior à dos escravos que atuaram no período colonial do Brasil.
Jioar disse que ela explica que nas décadas de 1980 e 1990, o tempo em que o trabalhador do setor ficava na atividade era de 15 anos, enquanto a partir de 2000, "já deve estar por volta de 12 anos".
De acordo com o DIEESE, pelo menos 770 mil pessoas trabalham no setor e o valor médio da diária paga varia entre R$ 13 e R$ 16. ;
De acordo com a influência da baixa renda no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, que mede o nível de países, estados e cidades, que usa como critério a educação, ou seja, alfabetização e taxa de matrícula, longevidade, que seria a média de vida ao nascer e renda per capita (PIB), Naviraí ocupa o 32º lugar em Mato Grosso do Sul, enquanto entre os seis melhores, os cinco primeiros são municípios que tem a seoja como principal indutor da economia (Chapadão do Sul, Campo Grande, São Gabriel do Oeste, Costa Rica e Dourados), enquanto o sexto lugar – Nova Andradina, tem como ponto forte a agropecuária.
IDH EVOLUÇÃO EM NAVIRAÍ:
IDH – EDUCAÇÃO………………….. 1991: 0,721…………. 2000: 0,824 – elevação de 14,28%
IDH – LONGEVIDADE……………… 1991: 0,716…………. 2000: 0,754 – elevação de 5,30%
IDH – RENDA PER CAPTA……….. 1991: 0,651………….. 2000: 0,676 – elevação de 3,84%
IDH – MUNICIPAL………………….. 1991: 0,696…………. 2000: 0,751 – elevação de 7,90%
De acordo com Jair Alve, Frei Beto – um dos mais duros críticos ao programa do Bbocombustíveis – disse em artigo publicado pela agência de notícias da América latina e Caribe – “Vamos alimentar carros e desnutrir pessoas, há 800 milhões de veículos automotores no mundo. O mesmo numero de pessoas sobrevive em desnutrição crônica”.
Jair alves terminou sua palestra sugerindo a para Naviraí a realização de um amplo estudo do tipo e da potencialidades do solo (Embrapa); criação de um zoneamento dentro do município (definindo as áreas que podem ser ocupadas com a cana-de-açúcar e para as demais lavouras), criação de uma Zona Tampão no entorno do perímetro urbano, impedindo o cultivo e queima da cana e a delimitação de percentual de área a ser ocupada pela cana-de-açúcar.













