2007-10-08 08:03:00
O governo federal estuda adoção de medidas emergenciais para conter o avanço desordenado de culturas destinadas à produção de álcool em áreas de florestas antes da divulgação do zoneamento agroecológico, conforme relata reportagem da Folha de São Paulo na edição de ontem domingo (7). As medidas emergenciais seriam tomadas antes do estudo, com limites para esse tipo de plantio, que só deverá ficar pronto em dez meses.
A maior preocupação do governo com o avanço da cana-de-açúcar está na região Centro-Oeste. Os Estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul concentram o ritmo mais acelerado de expansão dos projetos de cultivo para a produção de álcool.
Ainda conforme a Folha, o Ministério do Meio Ambiente avalia a oportunidade de adotar limites imediatos à expansão do álcool por meio de resolução do Conama (Comissão Nacional de Meio Ambiente), informou ao veículo o secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, Egon Krakhecke.
"É natural que os produtores busquem áreas mais férteis, e o zoneamento ainda demora para dar resposta", avaliou Krakhecke, embora considere "inexpressiva" a pressão dessas culturas sobre a Amazônia.
O zoneamento agroecológico, que só deverá ser anunciado em junho de 2008, segundo previsão do governo, terá força de lei, para proibir o cultivo de cana-de-açúcar em determinadas regiões e fixará as punições para os infratores. O zoneamento também criará incentivos às plantações em áreas degradadas fruto de uso intensivo, desmatamento ou pastagens.
Em Mato Grosso do Sul, há 11 usinas em funcionamento e outras 37 devem estar funcionando no prazo de quatro a cinco anos, segundo previsão do governo do Estado.
Dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) indicam que a área de cana cresceu 32% em Mato Grosso do Sul na safra plantada neste ano em comparação à safra semeada em 2006. Em São Paulo, que responde por 52,7% da área plantada e 58,2% da produção nacional de cana, houve avanço de 11% no mesmo período.
Por ora, o governo conta com medidas adotadas pelos Estados para limitar o avanço desordenado das plantações. Em Mato Grosso no Sul, foi aprovada pela Assembléia Legislativa medida estabelecendo 25 quilômetros de distância entre usinas.
A previsão é que a produção de cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul deve crescer entre 50% e 100% até 2010, segundo o especialista Godofredo Vitti. Entretanto, o governador André Puccinelli (PMDB) disse que não teme que o Estado se torne monocultor.
“Isso nunca ocorrerá, primeiro porque é impossível tecnicamente e o Governo não vai autorizar”, disse André. A declaração foi feita em agosto, durante abertura do 1° Carnasul (Congresso de Tecnologia na Cadeia Produtiva de Cana-de-Açúcar em Mato Grosso do Sul).











