2007-09-10 11:40:00
O Rei da “Ética” – Na semana anterior ao início do julgamento dos mensaleiros, deixei registrado aqui nesse Periscópio a minha preocupação e o provável desencanto com o resultado final, pois segundo quem acompanha de perto, o Supremo Tribunal Federal possuía um irresistível pendor para absolver políticos. Felizmente para minha surpresa – e de muita gente também – os 40 quadrilheiros foram enquadrados e se tornaram réus em processos variados. Entre esses safados estavam três ex-ministros do governo Lula – inclusive o “capitão do time” do presidente , deputados e ex-deputados, empresários ligados ao PT, sobretudo o infame Marcos Valério, e os seus indefectíveis aspones.
Da desconfiança inicial passei à euforia por saber que ainda há “nessepaiz” pessoas com senso ético e moral como o procurador Antonio Fernando de Souza e os ministros – agora são meus heróis – Marco Aurélio Mello, Celso Mello, Ellen Gracie e sobretudo Joaquim Barbosa que virou ídolo nacional ao apresentar um relatório perfeito, que não deu margem a dúvidas e levou os quadrilheiros para o banco dos réus. É claro, sempre haverá quem destoe, quem desafine e esse triste papel ficou para o ministro Ricardo Lewandowski, que além da língua solta, teria a propensão de livrar alguns bandoleiros por conta de sua proximidade com o presidente da República. Caiu do cavalo, foi desmascarado e corre o risco de ser processado por um dos seus pares, Eros Grau, que se sentiu ofendido com sua nada discreta troca de e.mails e telefonemas.
Tão logo terminou essa fase do julgamento, o presidente e seus sequazes correram aos microfones para dissociá-los dos quarenta. Talvez esse esforço tenha sido inútil, pois o governo Lula sempre será lembrado como o governo dos mensaleiros, da maior engrenagem de corrupção já denunciada na história “dessepaiz”.
O cinismo e a incontinência verbal do presidente se encarregaram de acrescentar mais uma pérola nesse colar de indecência, quando no sábado passado, durante o Congresso do Partido dos Trabalhadores, ele disse que os militantes do partido devem “usar a estrela do PT com orgulho” e não devem ter “vergonha” por conta dos escândalos de corrupção que rondam a legenda. Ele disse que nenhum outro partido tem os mesmos padrões éticos do PT. “Saio desse congresso de alma lavada, sabendo que alguns companheiros foram indiciados pelo Supremo. Nem eu, nem vocês sabemos o que aconteceu, mas aqueles que cometeram erros pagarão. O importante é que quem pertence a este partido tenha orgulho de ser petista”, disse o maior presidente da história do Brasil.
Se merecem – Quem foi que disse que não existe coorporativismo entre meliantes? Um exemplo é o senador Romero Jucá, bravo defensor do “pecuarista” Renan Calheiros, e ele também um grande falsificador de documentos. Em 2005, Jucá teve que deixar o Ministério da Previdência por causa de denúncias de irregularidades ocorridas quando ele era governador de Roraima. Mas para o presidente Lula, isso era nada, pois o nomeou para o cargo de líder do governo no Senado.
No cargo de ministro, Jucá foi bombardeado com denúncias de que teria feito pressões políticas sobre o Banco da Amazônia para obter condições favoráveis à renegociação de dívidas da Frangonorte, empresa de Roraima da qual foi sócio, e também para liberar parcelas de um empréstimo. Jucá admitiu, na ocasião, que foi pessoalmente ao Basa, em 1995 e um ano depois, mas que isso não era fazer pressão.
O ministro foi acusado ainda de ter apresentado como garantia ao empréstimo do Basa, sete fazendas que só existiriam no papel. Jucá sustentou que o responsável pela transação foi seu ex-sócio no empreendimento, mas o desgaste político provocado pelas críticas e cobranças da oposição acabaram provocando sua saída do ministério.
Como pode se ver, Jucá é da “melhor qualidade” e teve os requisitos indispensáveis para fazer parte da linha de frente do governo Lula: ser vigarista e ladrão.
Mas agora parece que um vendaval de limpeza, igual àquele que aconteceu no poder Judiciário, chegou ao Legislativo. O corregedor do Senado, Romeu Tuma, afirmou que vai incluir nas investigações sobre as novas denúncias contra o presidente da Casa, Renan Calheiros, a acusação de que o líder do governo, senador Romero Jucá, também estaria envolvido em suposto esquema de desvio de dinheiro público em ministérios comandados pelo PMDB.
Agora só falta vir à tona as safadezas do senador Almeida Lima, aquele amiguinho do Renan e do Jucá. “Se gritar pega ladrão!/ não fica um, irmão…”












