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sábado, 25 de abril de 2026

"Dia do Agricultor: nada a festejar" por Alberto E. Rings

2007-08-18 09:51:00


      No dia 28 de julho, celebrou-se o Dia do Agricultor. Não houve nenhuma festa nem qualquer regozijo. Não havia nada a festejar.

      O que teria a festejar um setor cuja dívida acumulada é de 131 bilhões de reais? Que esta a mercê do clima, do dólar, da fala de uma política honesta para o setor? Da falta de uma renda mínima justa? De um governo insensível aos anseios desta classe tão laboriosa?

      Nós não temos nada a festejar. O governo tem. Ele festeja o fato de  sermos responsáveis por bilhões de dólares gerados com as exportações de produtos primários, na ordem de 40% do PIB; de sermos os maiores exportadores mundiais de açúcar, soja, etanol, café, suco de laranja, fumo, carne bovina e de frango; sermos responsáveis pela criação de 37% dos empregos gerados no país. Mesmo assim, nosso endividamento ultrapassa 60% do PIB agrícola. Em 1995 era de apenas 35%. Algo esta errado!

      Xico Graziano em recente artigo diz: “É contraditório. O agronegócio vai bem. Evolui a área plantada, rebanhos se multiplicam, a tecnologia se moderniza, as exportações estouram. As fronteiras se expandem, a agroindústria se multiplica. Tanta pujança no campo, todavia, menos se reflete no bolso do agricultor. O agronegócio  lucra, o agricultor se aperta.”   

      Onde esta o problema? São vários os fatores. Talvez o mais grave tenha sido, por paradoxal que pareça, a estabilização da economia em 1994, ao cessar a “ciranda financeira”, forçando a economia a preocupar-se mais em produzir bens do que simplesmente em aplicar valores financeiros. Houve, de repente, a necessidade de uma “readaptação” no comportamento do setor produtivo nacional. Neste particular, a agropecuária teve revelado seu grande rombo logo securitizado por Fernando Henrique.

      As dificuldades não cessaram. A ocorrência de frustrações de safra por causa do clima, o engessamento do câmbio, a falta de uma política de longo prazo para o setor agravaram a situação do produtor que, não obstante o agronegócio ir bem, ele vai mal. É notório que o sucesso esta da porteira para fora; da porteira para dentro, há o caos.

      Que fazer? Em minha opinião, não há nada a fazer, se não esperar o crepúsculo deste governo e torcer, para que o próximo, tenha uma visão global mais clara, e valorize o setor produtivo primário, contemplando-o com uma política que permita ao produtor rural uma renda mínima justa, honesta e, acima de tudo, humana. Aí, sim, poderemos festejar! Até lá, que Deus nos acuda!

 
Alberto Eduardo Rings
Eng. Agron. Sócio do Sindicato

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