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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Exemplo de Vida: Seu Milton, um sobrevivente

2007-07-24 13:08:37

Antonio Luiz

                Talvez você não tenha sido apresentado ao seu Milton e não o conheça pessoalmente. Mas, com certeza, você já o viu andando pela cidade empurrando seu carrinho de sorvetes.

                O seu Milton da Costa Freitas vem exercendo esse ofício há quase vinte anos. Mesmo trabalhando numa profissão humilde e em tese mal remunerada, seu Milton não esmorece e dia a dia empurra seu carrinho. O destino fez dele um sobrevivente, um vencedor.

                Imaginem que seus vencimentos são de acordo com as vendas. Levando-se em conta que sorvete é um produto cuja venda depende do clima, pode-se deduzir que em pelo menos três ou quatro meses do ano, o seu Milton mal ganha para seu sustento e da sua  família.                   Aos 58 anos de vida, seu Milton não se casou e ainda cuida dos pais, já bem velhinhos.

                A vida do seu Milton nunca foi fácil. Trabalhou muitos anos na lavoura e em serrarias, mas quis o destino lhe dar um fardo um pouco mais pesado para carregar. Dizem os entendidos que “Deus nos dá o peso que apenas podemos suportar”. O de seu Milton, sem dúvidas, é bem pesado.

                Em 1985, sofreu um acidente rodoviário cujas conseqüências foram 50 dias hospitalizado no Hospital Universitário de Campo Grande, já que a parte superior da perna direita ficou moída o que lhe tirou os movimentos necessários para continuar a trabalhar no que sempre trabalhou. Não teve outra alternativa a não ser empurrar seu carrinho de sorvete, uma profissão digna como outra qualquer.

                Para agravar a situação, em 1996, teve uma infecção na perna esquerda que o fez sofrer terríveis dores. Passados onze anos ainda as sente. Na sua singela humildade, seu Milton diz que o grande prazer da sua vida é ouvir radio.

                Há três meses, seu Milton entrou com um pedido de aposentadoria por invalidez, o que, na verdade, deveria ter feito há mais tempo. O desconhecimento dele e a iniciativas de pessoas que se condoeram com sua situação é que encaminharam a um advogado especialista. Até agora a tal aposentadoria não se efetivou. Quem sabe depois dessa matéria, ela se concretize.

                Enquanto a aposentadoria não vem, seu Milton continuará, do alto da sua retidão de caráter e da sua honestidade a trabalhar com o seu carrinho. Com mais dificuldade é verdade, pois destino lhe foi cruel e o tempo como se sabe é implacável. Enquanto os políticos corruptos roubam em larga escala, seu Milton segue com suas dificuldades, com seus parcos ganhos, mesmo sendo espoliado em seus direitos de cidadão mantém a idoneidade e a  moral.

                Quando você encontrar o seu Milton pelas ruas de Amambai, compre um picolé e já estará ajudando um brasileiro que nos orgulha.

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