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terça-feira, 21 de abril de 2026

Ex-corintianos são acusados de crime de evasão de divisas

2007-07-14 09:26:37

O Ministério Público Federal suspeita que pelo menos dois jogadores que atuaram pelo Corinthians, Ricardinho e Carlos Alberto, teriam promovido crime de evasão de divisas – depósitos de valores no exterior, sem comunicação ao Banco Central. Interceptação telefônica da Polícia Federal indica que os atletas podem ter recebido salários e ativos referentes a contratos fora do Brasil. Os procuradores federais que investigam a parceria MSI/Corinthians deverão acionar a Receita para rastrear as declarações de rendas dos atletas. Eles também podem ser processados por sonegação de tributos.

Segundo o MPF, os grampos pegaram diálogos dos ex-corintianos com dirigentes do clube. O teor das conversas monitoradas mostra Carlos Alberto e Ricardinho supostamente orientando seus interlocutores a realizarem pagamentos “lá fora”. “Todo o dinheiro que recebi do Corinthians e da MSI foi por meio de bancos brasileiros. Nunca recebi dinheiro em contas fora do país. Estou à disposição para quaisquer esclarecimentos”, afirmou Ricardinho, por meio de sua assessoria de imprensa.

O jogador está na Áustria, onde treina com o Besiktas (TUR), seu atual time. Carlos Alberto não foi localizado. Nesta sexta, o Werder Bremen (ALE) chegou a anunciar sua contratação. Mas, no fim do dia, o dirigente Klaus Allofs reconheceu que os problemas da MSI dificultam a transferência. Ao decretar a prisão preventiva da cúpula da MSI, o juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6.ª Vara Federal em São Paulo, transcreveu trechos dos relatórios de inteligência da PF.

Um desses documentos reservados, número 11/06, revela acerto relativo a Carlos Alberto. O juiz destacou conversa entre duas pessoas, identificadas como Kléber e Marcus, ocorrida em 23 de novembro de 2006. “Kléber diz a Marcus que conversou com Carlos Alberto e com Richard que lhe explicaram que Carlos Alberto recebe US$ 160 mil [cerca de R$ 320 mil], ‘metade paga pela MSI, que ele recebe lá fora’.”

A suspeita sobre Ricardinho e Carlos Alberto não foi alvo da primeira etapa da investigação. Até aqui, o cerco do MPF tinha como foco Boris Berezovski, Kia Joorabchian e Nojan Bedroud, que tiveram prisão decretada pela Justiça Federal.
Nesta sexta, o procurador Rodrigo de Grandis, que participa da missão integrada do MPF com a Polícia Federal, reafirmou que não foi requerida custódia dos principais dirigentes do Corinthians – Alberto Dualib e Nesi Curi – porque “têm residência fixa no Brasil e, aparentemente, atividades regulares”. De Grandis ressaltou, porém, que o MPF pode mudar de planos se Dualib e Nesi intimidarem testemunhas ou continuarem lavando dinheiro.

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