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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Presidente da Fiems critica proposta de redução da jornada e defende flexibilização das relações de trabalho

Sérgio Longen afirma que debate sobre escala 6x1 e redução da carga horária pode aumentar custos, pressionar preços e comprometer competitividade da indústria brasileira

O presidente da Fiems, Sérgio Longen, criticou, nesta segunda-feira (08/06), as propostas de redução da jornada de trabalho em discussão no Congresso Nacional. Para o líder empresarial, a flexibilização das relações trabalhistas é o melhor caminho para preservar empregos, garantir competitividade e evitar aumento de custos para a população.

Em entrevista ao programa Noticidade, da rádio FM Cidade 97, Longen afirmou que propostas como a redução da jornada semanal de 44 para 40 ou até 36 horas representam um impacto direto no setor produtivo e podem gerar reflexos em toda a economia.

“Isso é custo. Não tem como você hoje não ser impactado, porque impede o consumo, aumenta os preços. Isso traz uma preocupação para todos nós”, afirmou.

O presidente da Fiems disse que o debate sobre o tema precisa ser feito com responsabilidade e sem interferência política. Ele criticou a possibilidade de constitucionalizar regras mais rígidas para contratação e jornada de trabalho e rebateu o discurso de que trabalhadores poderão trabalhar menos e manter a remuneração.

“O mundo inteiro tem flexibilidade na contratação. O Brasil não, ele quer fazer uma emenda à Constituição escrever que é proibido você trabalhar 36 ou 48. Nós somos contra isso. O governo federal está vendendo para a população que vai trabalhar menos e vai ganhar a mesma coisa. Eu nunca vi isso em lugar nenhum do mundo. Quem trabalha mais, ganha mais, quem trabalha menos, ganha menos”, disse.

Durante a entrevista, o dirigente afirmou que o setor enfrenta dificuldades para preencher vagas formais de emprego. Segundo ele, há empresas operando com déficit de aproximadamente 10% na força de trabalho. Para Longen, programas sociais também influenciam esse cenário.

“Infelizmente, no Estado, nós temos inúmeras pessoas dos benefícios sociais que não têm interesse em perder o benefício e não querem trabalhar”, declarou.

Presidente da Fiems critica proposta de redução da jornada e defende flexibilização das relações de trabalho

Qualificação profissional e expansão industrial

Ao abordar o crescimento industrial em Mato Grosso do Sul, Sérgio Longen destacou os investimentos do Sistema Fiems em qualificação profissional por meio do Sesi e do Senai, especialmente nas regiões que recebem grandes empreendimentos industriais.

Ele citou como exemplo a instalação de escolas em Bataguassu e Ribas do Rio Pardo para atender a demanda das obras ligadas ao setor de celulose. Em Ribas, segundo ele, aulas são realizadas em containers para acelerar a formação de trabalhadores.

Longen ressaltou ainda que a indústria oferece salários acima da média de outros setores e que o Senai disponibiliza mais de 200 cursos de qualificação, muitos deles gratuitos.

Infraestrutura e ambiente de negócios

O presidente da Fiems também falou sobre os desafios logísticos e de infraestrutura diante da expansão industrial do Estado. Segundo ele, o crescimento econômico traz dificuldades, mas também consolida Mato Grosso do Sul como um ambiente atrativo para investidores nacionais e internacionais.

Entre os fatores que tornam o Estado competitivo, Longen destacou segurança energética, apoio à instalação de empresas, qualificação profissional e agilidade no licenciamento ambiental.

Perspectiva otimista, mas com preocupação econômica

Apesar das críticas ao cenário econômico nacional, Longen afirmou que a perspectiva para o restante do ano ainda é positiva para o setor industrial sul-mato-grossense. No entanto, demonstrou preocupação com juros elevados, endividamento da população e aumento do déficit público.

“Estamos preocupados sim, mas acreditamos que nas eleições a gente consegue resolver um pouco dessa demanda”, declarou.

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