A combinação entre poluição e ar seco ajuda a agravar a qualidade do ar em diferentes regiões do Brasil, principalmente durante o inverno. Dados do Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, mostram que os níveis de poluentes atmosféricos ultrapassaram os limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde em praticamente todo o país. Entre os compostos monitorados, houve aumento de 11% nas medições de ozônio e crescimento de até 17% nos índices de monóxido de carbono em alguns estados.
Segundo o Ministério da Saúde, a poluição do ar está associada ao agravamento de doenças respiratórias, crises alérgicas e maior risco cardiovascular. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças pulmonares crônicas fazem parte dos grupos mais vulneráveis nos períodos de piora da qualidade do ar.
Embora o problema seja mais perceptível em regiões atingidas por queimadas, grandes centros urbanos também convivem diariamente com concentrações elevadas de partículas finas emitidas por veículos, indústrias e atividades urbanas.
Por que o ar fica mais perigoso no inverno?
Durante o inverno, fatores climáticos dificultam a dispersão dos poluentes atmosféricos. A baixa umidade do ar, a ausência de chuvas e fenômenos como a inversão térmica contribuem para que partículas nocivas permaneçam concentradas próximas ao solo.
Ao mesmo tempo, o período coincide com o aumento das queimadas em diferentes regiões do país, elevando a presença de fumaça e material particulado na atmosfera. Essas partículas microscópicas conseguem penetrar profundamente nas vias respiratórias e podem agravar quadros de asma, bronquite e rinite, já que o ar seco reduz a proteção natural das vias respiratórias, deixando o organismo mais suscetível à entrada de vírus, bactérias e poluentes.
De acordo com orientações divulgadas pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo (Semil-SP), a fumaça das queimadas pode provocar irritação nos olhos, tosse, falta de ar, dor de cabeça e sensação de cansaço, principalmente em pessoas mais sensíveis.
Além dos sintomas respiratórios, períodos prolongados de exposição ao ar poluído podem contribuir para inflamações sistêmicas e aumento do risco cardiovascular.
O que fazer ao sair de casa nos dias críticos
Nos dias em que a qualidade do ar estiver pior, a recomendação é reduzir atividades físicas intensas ao ar livre, especialmente nos horários mais quentes e secos do dia. Exercícios aumentam a frequência respiratória, fazendo com que mais partículas poluentes sejam inaladas.
Outra orientação é acompanhar boletins meteorológicos e índices de qualidade do ar divulgados por órgãos ambientais locais. Em algumas cidades, aplicativos e plataformas digitais já oferecem monitoramento em tempo real.
O uso de respiradores PFF2 (Peça Facial Filtrante de nível 2, com eficiência mínima de filtração de 94%) também pode ajudar em situações de fumaça intensa ou alta concentração de poluentes.
Manter o organismo hidratado é outra medida recomendada. A ingestão de água auxilia na hidratação das mucosas respiratórias, reduzindo desconfortos causados pelo ar seco.
Para crianças e idosos, a recomendação costuma ser ainda mais cautelosa. Atividades ao ar livre podem ser reduzidas temporariamente em períodos críticos, principalmente em regiões afetadas por queimadas.
Como reduzir a exposição dentro de casa
Mesmo dentro de casa, a qualidade do ar pode continuar comprometida. Isso acontece porque partículas finas conseguem entrar por portas, janelas e frestas, além de permanecerem suspensas por longos períodos.
O pneumologista Carlos Carvalho, professor da Faculdade de Medicina da USP, afirmou em entrevista ao G1 que é difícil eliminar completamente o material particulado do ambiente interno, já que a filtragem total do ar doméstico ainda é limitada. Por isso, o especialista recomenda medidas combinadas para reduzir a exposição.
Entre as orientações está o aumento da umidade do ambiente por meio do uso de toalhas úmidas, recipientes com água ou umidificadores de ar. A hidratação ajuda a diminuir o ressecamento das vias respiratórias, comum durante o inverno.
Também é recomendado evitar fumar em ambientes fechados e reduzir o uso de produtos que liberem odores fortes ou partículas, como incensos e sprays aerossóis.
Para ambientes fechados, o uso de purificador de ar é recomendado como uma das medidas mais eficazes para reduzir a concentração de partículas finas em dias de poluição elevada. Já o umidificador deve ser usado com atenção: de acordo com as normas brasileiras de qualidade de ar interno estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a umidade relativa ideal para ambientes fechados fica entre 35% e 60%, e valores acima dessa faixa criam condições favoráveis à formação de mofo.
A limpeza da casa também influencia diretamente. Passar pano úmido em móveis e pisos ajuda a evitar que poeira e partículas permaneçam circulando no ambiente. Já o uso excessivo de vassouras pode levantar resíduos acumulados.
Outro cuidado importante é observar sinais persistentes no organismo. Tosse prolongada, chiado no peito, irritação nos olhos e dificuldade respiratória devem ser avaliados por profissionais de saúde, principalmente em pessoas com histórico de doenças respiratórias.
Poluição e saúde exigem atenção contínua
Com a mudança do tempo e o avanço da poluição atmosférica, a preocupação sobre a qualidade do ar se torna recorrente em diversas regiões do país. Embora nem sempre seja possível evitar totalmente a exposição, pequenas mudanças na rotina podem ajudar a reduzir os impactos sobre a saúde.
A combinação entre monitoramento da qualidade do ar, hidratação adequada, redução de exposição em dias críticos e cuidados dentro de casa tende a diminuir desconfortos respiratórios e proteger grupos mais vulneráveis.
Fonte: Assessoria











