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quinta-feira, 14 de maio de 2026

O brasileiro dorme mal — e dormir bem vai muito além de fechar os olhos

Noites mal dormidas podem afetar memória, concentração, humor e aumentar os riscos de problemas metabólicos, cardiovasculares e hormonais

A conversa sobre saúde costuma passar pela alimentação e pela prática de exercícios, mas um fator ainda é frequentemente negligenciado: a qualidade do sono. Embora dormir seja uma necessidade básica, milhões de brasileiros convivem com noites curtas, sono fragmentado e dificuldade para descansar de verdade.

Na prática, isso significa acordar cansado, enfrentar dificuldade de concentração ao longo do dia e perceber alterações de humor cada vez mais frequentes. Além disso, o problema não se limita ao cansaço: dormir mal pode impactar diferentes áreas da saúde física e mental.

Um em cada cinco brasileiros dorme menos do que deveria — e os dados são do governo

Dados do Vigitel 2024, levantamento do Ministério da Saúde, mostram que 20,2% dos brasileiros dormem menos de seis horas por noite. Pela primeira vez, o Vigitel incluiu perguntas sobre a qualidade do sono dos brasileiros, revelando um cenário preocupante. O levantamento também aponta que 31,7% dos adultos relatam sintomas de insônia, com maior prevalência entre mulheres.

Segundo a Associação Brasileira do Sono (ABS), o Brasil está entre os países com maior déficit de sono no mundo. A média de descanso dos brasileiros é de 6,4 horas por noite, abaixo das 7h a 9h recomendadas para adultos.

As consequências dessa rotina podem aparecer de diferentes formas. Entre os sinais mais comuns estão:

  • Irritabilidade e alterações de humor;
  • Fadiga constante;
  • Sonolência durante o dia;
  • Dificuldade de memória e concentração;
  • Queda no desempenho profissional ou acadêmico;
  • Aumento do apetite sem causa aparente.

Além disso, a privação crônica de sono está associada a problemas metabólicos, cardiovasculares e hormonais. Distúrbios como insônia e apneia também podem afetar o ritmo circadiano, elevar os níveis de cortisol e manter o organismo em estado contínuo de alerta.

O problema raramente começa na cama

Embora muita gente associe a dificuldade para dormir apenas ao momento de deitar, o problema geralmente começa horas antes. Por exemplo, o excesso de estímulos, o estresse da rotina e a falta de horários consistentes interferem diretamente na qualidade do sono.

É justamente nesse contexto que entra a chamada higiene do sono, um conjunto de hábitos voltados para preparar corpo e mente para o descanso. Mais do que uma tendência, ela envolve práticas simples que ajudam o organismo a reconhecer o momento de desacelerar.

Entre as estratégias mais recomendadas estão:

  • Manter horários regulares para dormir e acordar;
  • Reduzir o uso de telas antes de deitar;
  • Evitar cafeína no período da noite;
  • Priorizar refeições leves no jantar;
  • Praticar atividades relaxantes no fim do dia;
  • Deixar o quarto escuro, silencioso e confortável;
  • Evitar cochilos longos ao longo da tarde.

Além disso, a exposição à luz natural pela manhã e a prática regular de exercícios físicos também ajudam a regular o relógio biológico.

Entre os recursos que especialistas têm citado como apoio à rotina do sono, o suplemento de magnésio ganhou atenção crescente. Isso porque o mineral atua na regulação do sistema nervoso e do ritmo circadiano. Ainda assim, é importante ressaltar que a suplementação deve ser individualizada e acompanhada por profissionais de saúde, especialmente porque dificuldades relacionadas ao sono podem ter diferentes causas.

O descanso é resultado de uma combinação de hábitos, ambiente adequado e equilíbrio na rotina. E, diante do aumento dos casos de insônia, olhar para o sono com mais atenção deixou de ser apenas uma questão de bem-estar.

Fonte: Assessoria

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