Mato Grosso do Sul reafirma sua posição como um dos principais players da piscicultura nacional. Durante o Encontro Técnico de Piscicultura, realizado pela Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) durante a semana passada na Expogrande 2026, dados apresentados pela economista Bruna Mendes Dias revelaram que o Estado vive um ciclo de expansão acelerada, impulsionado pela profissionalização e pela abertura de mercados internacionais.
Com a maior projeção para o PIB do agronegócio em 2025, o Mato Grosso do Sul já ocupa a posição de 6º maior produtor de tilápia do Brasil. O destaque fica para o município de Selvíria, que lidera a produção estadual com 9,71 mil toneladas, seguido por Mundo Novo e Dourados. O setor é peça-chave na estratégia do Governo do Estado para se consolidar como uma potência agroambiental, unindo desenvolvimento econômico e sustentabilidade.
Na palestra a economista mostrou que a piscicultura brasileira ultrapassou a marca histórica de um milhão de toneladas em 2025. Desse total, a tilápia representa quase 70% da produção nacional (707.495 toneladas). “O mercado de pescado atravessa uma mudança estrutural clara, onde a produção controlada via aquicultura substitui a pesca extrativa. A tilápia hoje é uma commodity global, e o MS está pronto para essa demanda”, explicou Bruna Mendes Dias em sua apresentação na Expogrande.
Foco na Exportação e Industrialização
Um dos pontos altos dos dados apresentados no evento, foi a mudança no perfil das exportações sul-mato-grossenses. Enquanto em 2017 o foco eram peixes frescos, o estado evoluiu para a exportação de produtos de maior valor agregado, como filés congelados. Em 2025, os Estados Unidos absorveram 99,96% das exportações de tilápia do MS, consolidando uma parceria comercial sólida que totalizou mais de US$ 1,3 milhão em produtos processados.
De acordo com a economista o futuro do setor no Estado não está apenas na criação, mas na agroindústria. A tendência é que o valor migre da commodity para o produto processado, atendendo a um consumidor que busca saúde, qualidade e conveniência.
“Oportunidade está na agroindústria, não apenas na produção primária. A margem de lucro do produtor dependerá cada vez mais da eficiência e da capacidade de agregar valor dentro da nossa própria cadeia produtiva”, destacou a economista durante o evento.
Com o crescimento populacional gerando uma demanda extra projetada de 735 mil toneladas até 2055, o Mato Grosso do Sul se prepara para ser o grande fornecedor de proteína de peixe de alta qualidade para o mundo.
Brasil
O setor da piscicultura brasileira vive um momento histórico, tendo ultrapassado a marca de um milhão de toneladas produzidas em 2025, com um crescimento de 4,41%. Desse volume total, a tilápia consolida-se como o principal protagonista, representando 69,94% da produção nacional, com 707.495 toneladas e um crescimento anual de 6,8%. Em contraste, a produção de peixes nativos registou uma ligeira queda de 0,63%.
O mercado global de pescado (seafood) atravessa uma mudança estrutural clara, marcada pela substituição da pesca extrativa pela produção controlada via aquicultura. A tilápia, especificamente, é tratada como uma commodity altamente padronizada de água doce. A dinâmica deste mercado é impulsionada por grandes exportadores, como a China, e grandes importadores, como os EUA, a União Europeia e o Japão.
Confira alguns dados da píscicultura
6º maior produtor de pacu e patinga (maior produtor: Ponta Porã).
- 11º maior produtor de pintado e cachara (maior produtor: Rio Brilhante).
- 13º maior produtor nacional na aquicultura geral.
No âmbito das exportações, o estado teve flutuações no perfil dos produtos: em 2017/2018 exportou apenas tilápias frescas ou refrigeradas, enquanto entre 2021 e 2023 o foco foram as tilápias congeladas. Em 2025, os principais destinos das exportações sul-mato-grossenses foram os EUA (99,96%) e o México (0,01%), com destaque para os filés de tilápia congelados.
Fonte: Rosana Siqueira, da Semadesc













