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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Safra de soja pode dar prejuízo mesmo com boa colheita

Os custos merecem atenção

A safra 2025/26 da soja brasileira se inicia sob uma nova dinâmica, marcada menos pelo desempenho produtivo e mais pela condição financeira dos produtores. Segundo análise de Isabella Cristina Soares, especialista em crédito estruturado no agronegócio, o ciclo atual representa uma mudança relevante na forma como o resultado da atividade será definido.

Nos últimos anos, era possível compensar falhas de planejamento financeiro com preços elevados, crédito acessível e expansão de área. Esse cenário, no entanto, deixou de existir. A nova safra começa com a soja cotada entre R$ 115 e R$ 120 por saca, enquanto o custo estrutural segue próximo de 50 a 55 sacas por hectare, em um ambiente de crédito mais restrito, juros elevados e acúmulo de passivos das temporadas anteriores.

Com isso, a margem tende a ser residual em diversas regiões. Em muitos casos, a operação já se inicia com rentabilidade apertada, tornando qualquer oscilação de produtividade, clima ou preço um fator de risco para o caixa e aumentando a probabilidade de renegociações.

Nesse contexto, as diferenças regionais ganham relevância. O Centro-Oeste ainda apresenta maior resiliência, com destaque para Mato Grosso, Goiás e parte de Mato Grosso do Sul, que mantêm produtividade elevada, escala e melhor diluição de custos. Ainda assim, produtores altamente alavancados, sem proteção de preços e com dívidas acumuladas podem enfrentar dificuldades mesmo diante de boas colheitas.

No MATOPIBA, o risco estrutural é mais elevado. A região enfrenta custos mais altos, maior dependência logística e menor margem para erros, o que pode resultar em safras positivas do ponto de vista agronômico, mas negativas financeiramente. Já no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, o desafio está nos balanços fragilizados após sucessivos ciclos de perdas e renegociações, o que pressiona o início da nova temporada.

Diante desse cenário, a análise indica que o resultado da safra não estará apenas na produção, mas na capacidade de transformar colheita em geração de caixa, fator decisivo para definir lucro, renegociação ou inadimplência.

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