O ambiente econômico global segue marcado por incertezas crescentes, influenciado por tensões geopolíticas e indicadores domésticos que dificultam a leitura sobre o ritmo da atividade. Segundo análise do Rabobank, o conflito entre Estados Unidos e Irã completa um mês sem avanços concretos, elevando riscos para a inflação e os mercados financeiros.
No cenário interno, a ata do Copom reforçou que a intensidade e a duração do atual ciclo de ajuste monetário serão definidas de forma gradual, conforme novos dados econômicos forem divulgados. A autoridade monetária também indicou necessidade de mais tempo para avaliar os efeitos econômicos do conflito internacional. Ao mesmo tempo, o IPCA-15 de março voltou a surpreender, com alta de 0,44% no mês, acima das expectativas, impulsionado principalmente pelos grupos de Alimentação e Transportes.
A combinação de fatores externos e internos amplia a incerteza. Há preocupação com a escalada de riscos geopolíticos, especialmente na região do Estreito de Ormuz, além dos efeitos ainda indefinidos da alta do petróleo. Mudanças tarifárias em potencial e o quadro fiscal desafiador em ano eleitoral também adicionam pressão ao cenário.
Apesar disso, o real apresentou desempenho positivo recente, encerrando a última semana cotado a 5,2386 por dólar, com valorização de 1,46% no período, destacando-se entre moedas emergentes. Ainda assim, a projeção para o fim de 2026 foi mantida em 5,55 por dólar.
Outros indicadores mostram sinais mistos. A arrecadação federal iniciou o ano em ritmo forte, atingindo R$ 227,1 bilhões em fevereiro. O déficit em conta corrente ficou em US$ 5,6 bilhões, com entrada consistente de investimento estrangeiro direto. Por outro lado, a taxa de desemprego subiu para 5,8%, interrompendo a sequência de quedas observada anteriormente.









