Funcionários e empresas estão divididos a respeito de determinações sobre o trabalho remoto e presencial no Brasil, de acordo com pesquisas. Essa divisão expõe os desafios e as tendências para o futuro dos empregos formais no país.
Segundo levantamento feito pela LiveCareer, ferramenta de recrutamento e criação de currículos, 65% dos brasileiros considerariam trocar de emprego em caso de obrigação de retorno ao serviço presencial. Enquanto isso, 80% das corporações tendem a diminuir ou acabar definitivamente com o home office.
A principal busca dos trabalhadores é por flexibilidade, a fim de conquistar maior qualidade de vida mantendo os níveis de produtividade. Por outro lado, empresas apostam no retorno ao serviço presencial, mas reconhecem que as tendências estão em processo de modificação.
Contraste entre desejo por trabalho remoto e determinação de empresas
A tendência de procura por home office chegou ao ápice desde que o assunto se popularizou, durante a pandemia de Covid-19. Em janeiro de 2025, o Google Trends registrou mais pesquisas sobre trabalho remoto no Brasil desde março de 2020, início da crise sanitária mundial.
Tecnologia da informação (TI), marketing e comunicação e finanças e contabilidade são as áreas que mais trabalham sob regime remoto ou híbrido. Entre profissionais de TI, 47% dos brasileiros do setor considerariam trocar de emprego se fossem obrigados a voltar ao trabalho presencial, de acordo com estudo da Talent Trends Tech, de 2025.
No entanto, 51% das empresas brasileiras estão em sistema presencial, 41% adotam o modelo híbrido, enquanto somente 9% têm regime home office.
Qualidade de vida, saúde mental e produtividade no home office
Trabalhadores de TI, por exemplo, buscam trabalho remoto no Brasil para aumentar a qualidade de vida e até ampliar as possibilidades de serviço, segundo Emerson Morresi, presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação (Fenati).
“Defendemos que a adoção seja negociada e regrada. É um avanço importante para os trabalhadores, que agora não têm mais fronteiras para atuar. O tempo perdido no trânsito das grandes cidades virou tempo com a família e os amigos, para estudar e até descansar, o que contribui para a saúde e o bem-estar”, disse o integrante da Fenati para a Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB).
As impressões de Morresi são confirmadas por pesquisas recentes, divulgadas pela LiveCareer.
- 94% dos trabalhadores dizem que o home office melhorou a qualidade de vida.
- 88% avaliam que o trabalho em casa é igual ou melhor.
- 91% relatam produtividade igual ou maior no remoto.
Entre os benefícios do home office, está a possibilidade de trabalhar em diferentes locais. As áreas que mais estão nessa vertente são ligadas à tecnologia, em que profissionais podem investir em ergonomia e equipamentos adequados, garantindo que a portabilidade de um notebook se transforme em ferramenta de liberdade. Isso permite que o escritório esteja onde a produtividade melhor floresce.
Ainda entre profissionais da tecnologia da informação, 42% priorizam equilíbrio entre vida pessoal e profissional, enquanto 19% colocam a saúde mental como prioridade. Esses indicativos estão acima até de bom salário (15%) e sucesso na carreira (6%).
Tiago Cordeiro, engenheiro de software de 36 anos, ressaltou os benefícios de trabalhar remotamente, sem que o regime afete a produtividade.
“Posso acordar bem mais tarde do que se fosse necessário ir presencialmente, mas prefiro levantar cedo para ir à academia e depois começar as atividades. Consigo fazer minhas refeições em casa e posso descansar, ver TV e brincar com meus cachorros”, relatou o profissional ao CSB.
Potencial de expansão e direitos garantidos na legislação
Determinações atuais – nas esferas privada e pública e na legislação – podem definir o rumo dos empregos para os próximos anos no Brasil.
O trabalho remoto no Brasil é regulamentado pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) desde 2017, ano da reforma trabalhista. Também há meios de supervisão do trabalho dos funcionários, geralmente via equipamentos das empresas, que não podem ultrapassar os limites de privacidade.
A advogada trabalhista Carolina Tupinambá alerta para as obrigações e os deveres de empregados e empregadores.
“Para os trabalhadores, é essencial manter o autocontrole da jornada, protegendo a saúde mental, já que é comum ultrapassar o horário sem perceber. Também é importante adotar medidas relacionadas ao ambiente doméstico, como garantir a privacidade e o isolamento adequado para cumprimento das atividades”, explicou a especialista.
Dentro do contraste entre desejo dos profissionais e determinações das empresas, algumas corporações reconhecem dificuldades da imposição do trabalho presencial.
- 49% das empresas reconhecem que o tempo de deslocamento dificulta voltar ao escritório.
- 45% se preocupam com impactos na atração e retenção de talentos.
- A saída de empregos presenciais é mais comum entre a Geração Z e os Millennials.
Mesmo assim, 88% das vagas exigem sistema presencial, total ou parcial, ainda que o regime híbrido esteja em crescimento.
“As organizações que conseguirem equilibrar produtividade, cultura e qualidade de vida terão vantagem na atração e retenção de talentos”, concluem especialistas da plataforma LiveCareer.
Fonte: Divulgação












