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terça-feira, 31 de março de 2026

Recorde de elétricos em 2025: as novas regras para a manutenção segura

Com mais de 223 mil veículos eletrificados vendidos no ano, setor automotivo brasileiro passa por profissionalização técnica e adoção de normas específicas para garantir segurança no pós-venda

O mercado brasileiro de veículos eletrificados atingiu em 2025 o maior volume de vendas de sua história. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e repercutidos pelo portal Portal Solar, o país registrou 223.912 unidades comercializadas entre modelos 100% elétricos, híbridos plug-in e híbridos convencionais.

O crescimento foi de 26% em relação a 2024. Além disso, o resultado consolidou a expansão da mobilidade elétrica e elevou a participação dos eletrificados no total de emplacamentos de veículos leves.

Esse recorde de vendas em 2025 não representa apenas um avanço comercial. Ele impõe um novo patamar de exigência ao setor de pós-venda, especialmente no que se refere à manutenção de carros elétricos e veículos híbridos, que operam com sistemas de alta tensão e tecnologias distintas dos automóveis movidos exclusivamente a combustão.

O recorde de 2025 e a urgência de um pós-venda qualificado

O crescimento acelerado da frota eletrificada cria uma demanda proporcional por serviços especializados. Conforme destacou o Portal Solar ao analisar os dados da ABVE, o avanço nas vendas reflete tanto a ampliação da oferta de modelos quanto maior aceitação do consumidor brasileiro.

Entretanto, a estrutura das oficinas mecânicas tradicionais nem sempre está preparada para lidar com sistemas de propulsão elétrica. Diferentemente dos motores convencionais, os carros elétricos utilizam baterias de alta capacidade, inversores e módulos eletrônicos que operam com tensão elevada.

A intervenção inadequada nesses sistemas pode gerar riscos de choque elétrico, danos aos componentes e falhas graves de segurança.

A necessidade de qualificação técnica ganhou ainda mais relevância diante do aumento projetado da frota eletrificada. Em reportagem publicada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, com base em dados da ABVE, o setor já previa que o volume ultrapassa a marca de 200 mil unidades em 2025.

Nesse cenário, a manutenção de carros elétricos passa a exigir formação específica, equipamentos adequados e protocolos de segurança rigorosos, reduzindo a margem para improvisações ou práticas informais.

Certificações e normas técnicas: as novas exigências para oficinas

Para organizar o setor e estabelecer critérios técnicos mínimos, a Associação Brasileira de Normas Técnicas lançou, em 2025, a Prática Recomendada ABNT PR 1025 – Veículos rodoviários propelidos à eletricidade – Competências de pessoal.

De acordo com o Instituto da Qualidade Automotiva (IQA), que participou da divulgação da norma, o documento foi apresentado durante a COP 30 e representa o primeiro referencial técnico nacional voltado especificamente à qualificação de profissionais que atuam na manutenção de veículos elétricos e híbridos.

Segundo reportagem da CNN Brasil, a norma estabelece três níveis de atuação profissional. O Nível 1 contempla serviços mecânicos básicos; o Nível 2 inclui intervenções em sistemas de baixa tensão; e o Nível 3 autoriza a atuação direta em sistemas de alta tensão, como baterias de tração e componentes críticos do sistema elétrico.

Ainda conforme a CNN Brasil, para atuar nos níveis mais avançados é necessário comprovar ao menos dois anos de experiência ou formação específica com carga horária mínima de 160 horas, além de treinamento complementar de 40 horas. Essas exigências reforçam que a certificação de mecânicos deixa de ser diferencial e passa a ser requisito.

O portal InsideEVs Brasil também destacou que a prática recomendada da ABNT estabelece parâmetros claros de competência técnica e segurança, criando um padrão de referência para oficinas, seguradoras e fabricantes.

Segurança operacional e infraestrutura logística no pátio técnico

A adequação às novas normas não se limita à capacitação individual dos profissionais. Ela envolve também mudanças estruturais nas oficinas. A atuação em sistemas de alta tensão exige delimitação de áreas específicas, uso de equipamentos de proteção e procedimentos formais de bloqueio e isolamento de energia.

Embora a ABNT PR 1025 seja uma prática recomendada, sua aplicação dialoga com diretrizes já existentes na legislação trabalhista, como a Norma Regulamentadora NR-10, que estabelece requisitos de segurança para trabalhos com eletricidade e determina medidas preventivas para reduzir riscos ocupacionais.

Além dos protocolos técnicos, a organização física do espaço de trabalho torna-se elemento estratégico. Oficinas que atendem veículos eletrificados precisam separar áreas de circulação das zonas de intervenção, especialmente quando há processos de desenergização em andamento.

Nesse contexto, soluções de organização estrutural ganham relevância. Para garantir que o fluxo de trabalho respeite as zonas de isolamento exigidas pelas normas de segurança, muitas oficinas modernas integram duplicadores de garagem, permitindo uma organização vertical que evita o contato acidental com veículos em processo de desenergização.

A utilização dessas ferramentas contribui para otimizar o espaço físico e reforçar a separação entre veículos em manutenção elétrica e aqueles em serviços convencionais.

O recorde de vendas em 2025 marca, portanto, não apenas um avanço comercial, mas uma mudança estrutural no setor automotivo brasileiro. A consolidação da mobilidade elétrica exige profissionalização, certificação técnica e adaptação da infraestrutura das oficinas.

Fonte: Assessoria

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