A história de Amambai ganha novo fôlego com a reabertura, em abril, do Museu José Alves Cavalheiro, espaço que representa muito mais do que a guarda de objetos antigos: ele é um verdadeiro guardião da memória, da identidade e das raízes do município.
Instalado originalmente em 2004, no antigo prédio da Loja Maçônica Pedro Manvailer, o museu foi idealizado pelo escritor Almiro Pinto Sobrinho, um dos principais responsáveis por reunir, preservar e valorizar parte importante da história local. Na época, a instituição foi criada com o nome de Associação de Promoção e Pesquisa Cultural de Amambai, nascendo do esforço de quem compreendia a urgência de manter viva a trajetória do povo amambaiense.
Em 2016, o espaço passou a funcionar por meio de um termo de cooperação entre a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e a Prefeitura de Amambai. Após esse período, sobretudo com os impactos causados pela pandemia, o funcionamento do museu acabou sendo prejudicado e o local permaneceu fechado. Com o encerramento do termo de cooperação, em março de 2023, a Associação retomou o prédio e o acervo, iniciando um novo momento de reorganização.
Foi ainda em agosto de 2023, durante reunião extraordinária da diretoria, que houve a renovação do estatuto, a inclusão de novos membros e a mudança de denominação da entidade, que passou a se chamar Instituto Histórico e Geográfico de Amambai (IHGA).

Atualmente, quem está à frente dos cuidados com o museu é Albertino Fachin, responsável por acompanhar essa nova etapa do espaço, que retoma seu papel histórico e cultural junto à comunidade.
Um centro de memória e pesquisa
Hoje, o Museu José Alves Cavalheiro integra uma estrutura mais ampla dentro do IHGA, que reúne diferentes setores voltados à preservação da memória regional. Além do museu, o instituto conta com o Centro Regional de Documentação Histórica Cornélia Dourisboure, a Mapoteca Antônio Delgado Martines, a Hemeroteca Nilo Luiz de Oliveira, o Cine Rural João Fouseck, o Centro de Memória Fotográfica Nicanor Alves do Amaral e a Biblioteca Pública Muriama de Oliveira Mascarenhas.

A importância desse conjunto para Amambai é imensa. O instituto atua na preservação da memória local, na reunião e catalogação de documentos e artefatos históricos, no incentivo à pesquisa e na promoção da educação patrimonial, fortalecendo a identidade cultural dos moradores e funcionando como guardião do patrimônio histórico do município.
Como destaca Albertino Fachin, o espaço tem papel essencial nesse processo. “O Instituto Histórico e Geográfico de Amambai é fundamental para preservar a memória local, reunir e catalogar documentos e artefatos, promovendo a pesquisa e a educação patrimonial, além de fortalecer a identidade cultural dos moradores”, afirma.
Acervo reúne relíquias, documentos raros e memórias da cidade
Grande parte do acervo foi formada ao longo dos anos por meio de doações recebidas por Almiro Pinto Sobrinho. Entre os materiais preservados estão peças antigas, documentos, fotografias e mapas que ajudam a contar a trajetória de Amambai e de sua população.

Entre os itens mais antigos e simbólicos estão máquinas de costura de 1890, baús utilizados nas caravanas de sulistas que chegaram à região, além de documentos com mais de 150 anos, como um passaporte francês, e um exemplar de livro de homeopatia farmacêutica datado de 1856.
Outro destaque recente é a doação recebida em 2025 de um importante acervo de 1.520 fotografias e negativos pertencentes ao saudoso Nicanor Alves do Amaral. Esse material está passando por um processo de digitalização e identificação, com apoio do reconhecimento feito por moradores de Amambai, o que amplia ainda mais o valor histórico e afetivo do acervo.
Trabalho de preservação exige cuidado contínuo
Manter um espaço como esse em funcionamento não é tarefa simples. O período em que o museu ficou fechado trouxe prejuízos à conservação de parte do material. Algumas peças de madeira foram afetadas por cupins, enquanto livros sofreram com a ação de traças, exigindo um trabalho lento, contínuo e cuidadoso.
A conservação do acervo demanda atenção especial não apenas com os objetos e documentos, mas também com a forma de manuseio, para garantir que esse patrimônio histórico seja protegido e possa atravessar gerações.
Atualmente, o IHGA conta com a parceria do poder público municipal, que colabora com uma estagiária para atendimento ao público nos períodos da manhã e da tarde, ajudando a manter as atividades em andamento.
Reabertura marca novo momento com biblioteca reconhecida oficialmente
A reabertura do espaço, marcada para 08 de abril, acontece em um momento importante para o instituto. O prédio do museu passou recentemente por reforma no telhado, depois que as fortes chuvas de novembro e dezembro provocaram goteiras que ameaçavam o acervo. O problema foi solucionado com recursos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, oriundos de penas pecuniárias.

Mas o grande marco desta reabertura é também a apresentação da Biblioteca Pública Muriama de Oliveira Mascarenhas. Em 2025, o IHGA recebeu um pequeno acervo de livros antigos vindos da biblioteca da UEMS. Já em fevereiro deste ano, foi assinado o termo de cessão do acervo da antiga biblioteca municipal, incorporando mais de 3.200 obras ao instituto.
Com isso, a biblioteca do IHGA foi oficialmente reconhecida pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, consolidando mais um importante passo na ampliação do acesso à cultura, à leitura e ao conhecimento histórico no município.
Convite à comunidade
Mais do que reabrir um prédio, o momento representa a retomada de um elo entre passado e presente. A proposta do instituto é que a população, especialmente os estudantes e os jovens, visite o espaço não apenas para observar peças antigas, mas para conhecer a história por trás de cada objeto, documento e mapa, despertando o sentimento de valorização da própria origem.
Como resume Albertino Fachin, visitar o local é uma forma de reencontro com a própria história. “Relembrar ou descobrir o que aconteceu no passado de uma cidade é o mesmo que retornar ao passado. A história dá vida à memória, mantendo em destaque os grandes feitos de um povo”, ressalta.
Ao abrir novamente suas portas, o Museu José Alves Cavalheiro reafirma sua missão de impedir que a história de Amambai caia no esquecimento. Afinal, preservar a memória de uma cidade é também preservar a identidade de seu povo.
Por Patrícia Rocha
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Fonte: Gazeta Educação












