Na Reserva Indígena de Dourados, o avanço da chikungunya deixou de ser um alerta e passou a configurar uma situação considerada epidêmica, revelando um cenário de vulnerabilidade histórica.
Dados oficiais da Prefeitura e da Vigilância em Saúde apontam que, somente nas aldeias Jaguapiru e Bororó, já são 407 casos notificados, com 202 confirmações, além de quatro mortes registradas em 2026, entre elas um bebê de apenas três meses. Os números, além de alarmantes, já superam todo o cenário registrado ao longo de 2025 no município.
É nesse contexto que a deputada estadual Lia Nogueira (PSDB) apresentou uma indicação na Assembleia Legislativa solicitando a criação de uma força-tarefa emergencial envolvendo a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), o Governo do Estado e a Prefeitura de Dourados. A proposta surge diante de relatos de agravamento rápido da doença nas comunidades, onde vivem cerca de 20 mil indígenas.
A realidade enfrentada nas aldeias vai além do vírus. A situação é agravada pela falta de infraestrutura básica, como abastecimento regular de água, o que dificulta desde a prevenção até a administração de medicamentos.
“A situação é desumana”, afirmou a deputada ao defender a mobilização conjunta dos entes públicos. Ela destacou que, embora a saúde indígena seja responsabilidade da União, a gravidade do cenário exige cooperação imediata. “Com união de esforços, podemos dar uma resposta à altura desse problema crônico que estamos vivendo nas aldeias de Dourados”, pontuou.
O avanço da doença também reflete um quadro mais amplo em Mato Grosso do Sul. O Estado lidera a incidência nacional de chikungunya, com índices muito acima da média brasileira, concentrando inclusive cerca de 40% das mortes registradas no país em 2026.
Enquanto equipes municipais, estaduais e federais intensificam ações de combate ao mosquito transmissor, com mutirões e apoio da Força Nacional do SUS, o caso de Dourados expõe mais do que uma emergência sanitária, revela a urgência de políticas públicas estruturais para populações que, historicamente, vivem à margem da assistência básica. E é justamente nesse ponto que a cobrança política ganha força para que a resposta não seja apenas emergencial, mas definitiva.
Fonte: Assessoria Lia Nogueira










