O fluxo de exportações de soja do Brasil para a China passa por ajustes após mudanças recentes nos procedimentos fitossanitários adotados para os embarques do grão. As alterações envolvem inspeções mais rigorosas nas cargas destinadas ao mercado externo e refletem preocupações relacionadas ao cumprimento de protocolos sanitários acordados entre os dois países.
Uma das principais exportadoras da oleaginosa, a Cargill enviou 2,8 milhões de toneladas de soja para a China em 2026, volume equivalente a 15,49% dos embarques brasileiros para o destino, que somaram 18,1 milhões de toneladas no período. Levantamento divulgado pela Royal Rural aponta que, apenas em março, a companhia exportou 1,6 milhão de toneladas ao país asiático, participação de 17% nas vendas totais do Brasil para o mercado chinês no mês. No mesmo período, 63% de todos os embarques da empresa tiveram como destino a China.
Com esse desempenho, a Cargill se consolida como a segunda maior exportadora de soja do Brasil para a China, atrás apenas da Bunge, uma das grandes companhias do agronegócio presentes no país.
Apesar do volume relevante nas exportações, a empresa decidiu suspender os embarques de soja do Brasil para a China e também interromper compras no mercado brasileiro. A avaliação da companhia é de que as mudanças nas inspeções adotadas pelo Ministério da Agricultura tornaram mais difícil atender às exigências necessárias para a autorização das cargas.
A decisão ocorre após uma solicitação do governo chinês para reforçar o controle fitossanitário. Em entrevista à CNN Agro, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, criticou a suspensão e afirmou que o país asiático já vinha apontando problemas em cargas que não cumpriam integralmente o protocolo sanitário estabelecido.











