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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Com aporte maior do governo, deficit da previdência de MS cai pela metade

Rombo do regime próprio recuou 48% em 2025, mas Mato Grosso do Sul ainda tem o segundo maior deficit do Brasil

O deficit da previdência dos servidores públicos de Mato Grosso do Sul caiu pela metade, indicam números do governo do Estado e do Tesouro Nacional referentes à execução orçamentária de 2025.

O deficit, que em 2024 foi de R$ 1,84 bilhão, ficou em R$ 958 milhões no ano passado, uma queda de 48%.

O número, contudo, pode não significar menos aportes do governo no Regime Próprio de Previdência dos Servidores (RPPS), uma vez que 2025 foi o primeiro ano do plano para amortizar e equacionar o deficit da previdência estadual, aprovado no fim de 2024.

A lei que prevê zerar o deficit da previdência até 2046 determinava que o governo aportasse, no ano passado, R$ 14,4 milhões por mês no sistema previdenciário, totalizando R$ 172,9 milhões ao ano.

Esses aportes, contudo, não interferem em outras obrigações legais, como as contribuições patronais. Essas contribuições, inclusive, também são responsáveis pela redução do deficit.

O ano de 2025 foi o primeiro em que o estado de Mato Grosso do Sul passou a contribuir com 28% sobre o valor do salário ou benefício do servidor. Até 2024, essa contribuição era de até 25%.

A lei, que começou a produzir efeitos no ano passado, manteve a contribuição de 14% dos servidores da ativa e também dos inativos. À época, apenas os servidores que recebiam benefício de um salário mínimo ou que tinham doenças graves ficaram livres do desconto de 14%.

No ano passado, a contribuição dos servidores, em atividade ou não, representou aproximadamente um terço das despesas. As contribuições dos segurados atingiram R$ 1,04 bilhão, já as contribuições patronais somaram R$ 2,26 bilhões ao longo do ano.

O RPPS ainda contou com outras receitas menores, como R$ 24 milhões em receitas patrimoniais e mais R$ 188 milhões em “outras receitas”, rubrica na qual aparecem os R$ 158,5 milhões aportados pelo governo para amortização do deficit atuarial, apesar de a lei prever que o valor atingisse R$ 172,9 milhões.

Enquanto as receitas somaram R$ 3,36 bilhões, as despesas alcançaram R$ 4,32 bilhões até dezembro, resultando no deficit de R$ 958,1 milhões. O valor foi inferior, inclusive, à previsão orçamentária para 2025, que estimava rombo de R$ 1,1 bilhão no período.

As aposentadorias representaram a maior parte das despesas: R$ 3,97 bilhões. As pensões somaram outros R$ 748 milhões. Na rubrica “outras despesas”, houve ainda gastos de R$ 28 milhões.

Ranking

O deficit da previdência de Mato Grosso do Sul é o segundo maior do Brasil, inferior apenas ao do Rio Grande do Norte, cujo rombo nas contas, no ano passado, foi de R$ 2 bilhões.

O critério considera que Mato Grosso do Sul não tem a previdência segregada, como tinha até 2017. Naquele ano, o governo estadual, na gestão de Reinaldo Azambuja, sacou os R$ 377 milhões que estavam na conta segregada – valores recolhidos dos servidores que ingressaram no início da década até a data do saque.

Estados como o Paraná, por exemplo, têm rombo de R$ 6,6 bilhões no fundo em repartição, mas contam com R$ 1,1 bilhão em um fundo de capitalização. Outras unidades da Federação, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, também mantêm dois fundos.

Mais prazo

O governo de Mato Grosso do Sul, atualmente, tem um plano para zerar o deficit da previdência em 2046, conforme lei aprovada em novembro de 2024 e que passou a produzir efeitos em 2025.

Para zerar o deficit, o governo vai precisar fazer aportes suplementares na previdência que vão além de suas obrigações patronais. Para este ano, está prevista a realização de um aporte de R$ 265,2 milhões. No próximo ano, a expectativa é de que o aporte seja de R$ 408 milhões.

Os aportes só seriam concluídos em 2046. Até lá, a partir de 2028, o governo colocaria o mesmo valor de R$ 645 milhões todos os anos.

A Brasilis Consultoria, porém, empresa contratada pela Agência de Previdência Social de Mato Grosso do Sul (Ageprev) para auditar a previdência do Estado, passou a sugerir um prazo mais elástico para zerar o deficit.

A nova proposta faria a previdência zerar o rombo 19 anos mais tarde, em 2065. Basicamente, ela prevê a redução dos aportes anuais, começando já neste ano, em que o aporte do governo de Mato Grosso do Sul na previdência cairia de R$ 265 milhões para R$ 206 milhões, medida que daria alívio ao caixa do governo.

No próximo ano, o aporte anual cairia de R$ 408 milhões para R$ 318 milhões, em 2028, R$ 460 milhões, em 2029, e, a partir de 2030, R$ 490,3 milhões por ano até 2065.

Para passar esse novo calendário mais elástico, o governo precisa mandar um projeto de lei para Assembleia Legislativa. 

Fonte: Eduardo Miranda/Correio do Estado

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