A recente valorização da soja no mercado internacional tem chamado a atenção, mas não reflete, até o momento, um aperto efetivo de oferta no mercado físico global. Segundo análise da TF Agroeconômica, o movimento de alta em Chicago está sustentado principalmente por expectativas de maior demanda chinesa pela soja dos Estados Unidos, com forte componente especulativo.
Os fundamentos físicos seguem apontando ampla disponibilidade. O Brasil avança para uma safra recorde superior a 180 milhões de toneladas, com colheita acelerada e exportações já intensas desde fevereiro. Na Argentina, apesar dos problemas climáticos, ainda não há confirmação de uma quebra relevante. Ao mesmo tempo, o próprio mercado começa a realizar lucros no complexo da soja, com recuo do óleo e estabilidade do farelo, sinalizando que a alta ocorre mais por narrativa do que por restrição real de oferta.
No Brasil, a grande oferta física e o ritmo da colheita mantêm os preços FOB pressionados ou laterais, especialmente para embarques de curto prazo. A valorização da CBOT não se traduz integralmente nos prêmios, que seguem limitados pelo volume absoluto da safra, apesar de alguma sustentação vinda da comercialização mais lenta dos produtores. Na Argentina, o déficit hídrico oferece suporte marginal aos prêmios, mas o país segue tomador de preços diante da atuação agressiva do Brasil no mercado exportador.
A paridade de exportação brasileira melhora em reais com a alta em Chicago, mas de forma menos intensa, já que prêmios fracos e câmbio relativamente estável retêm parte do ganho na tela. No mercado interno, a indústria de esmagamento não encontra estímulo para pagar mais pela soja, enquanto o produtor vê oportunidade mais clara de fixação via CBOT do que de esperar reação no físico. Assim, Chicago sobe, mas a soja continua sobrando no Brasil.








