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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Pressão financeira se espalha pela cadeia do agro

Esse ambiente ajuda a explicar a intensificação dos pedidos de recuperação judicial

O agronegócio brasileiro atravessa um período de forte pressão financeira, marcado pela combinação de preços mais baixos, juros elevados e restrição de crédito, com impactos que se espalham por toda a cadeia produtiva. A avaliação é de José Renato Donadon, gerente comercial de Pesados na Unidas, que analisa esse movimento como um efeito dominó que começa no campo e alcança fornecedores de insumos, revendas e tradings.

Com a soja negociada em patamares pressionados, a receita dos produtores diminui, o caixa se estreita e o risco operacional aumenta, especialmente entre aqueles mais alavancados. Esse ambiente ajuda a explicar a intensificação dos pedidos de recuperação judicial no setor, que somaram 565 solicitações no segundo trimestre de 2025, crescimento de 31,7%, sinalizando que a fragilidade financeira deixou de ser pontual. No meio da cadeia, empresas de revenda e insumos enfrentam renegociações complexas e perdas relevantes para credores, com cortes expressivos de dívidas em processos recentes. Ao mesmo tempo, projeções mais conservadoras para 2026, abaixo do que o mercado esperava, reforçam a leitura de que o ciclo segue desafiador, influenciado por incertezas macroeconômicas e de mercado. A pressão também aparece na indústria de insumos, com queda de preços, dificuldades na América Latina e movimentos estratégicos que costumam surgir em fases mais duras do ciclo.

Nesse contexto, a discussão central deixa de ser apenas produtividade e passa a envolver a estrutura de capital. Com juros altos, a compra de máquinas e caminhões pode transformar investimentos em custos fixos difíceis de sustentar, somando parcelas, seguros, manutenção, imobilização e risco de revenda em um momento desfavorável. A locação surge como alternativa para preservar caixa e limite de crédito, garantir flexibilidade de frota conforme a safra e o fluxo de vendas, além de trazer previsibilidade de custos e menor exposição patrimonial. A proposta defendida pela Unidas Pesados é assumir a gestão dos ativos, permitindo que produtores, gestores e cooperativas concentrem esforços na operação agrícola e no ganho de produtividade por hectare, buscando mais resiliência para atravessar o atual ciclo.

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