A reação do deputado estadual Coronel David (PL) a uma reportagem veiculada pela imprensa em Mato Grosso do Sul, que equipara ações policiais à aplicação de “pena de morte”, expõe um debate que ultrapassa estatísticas e alcança um ponto sensível da democracia: o limite entre informar e distorcer, entre o direito à crítica e a irresponsabilidade que coloca vidas de policias em risco.
Com a autoridade de quem comandou a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e viveu a rotina das ruas, Coronel David classificou como “manipulação” a comparação feita entre mortes decorrentes de intervenções policiais no estado e execuções judiciais nos Estados Unidos. Para o parlamentar, o uso do termo “pena de morte” fora do contexto jurídico não apenas falseia a realidade, como induz o leitor a uma conclusão equivocada sobre a atuação das forças de segurança.
“O que existe nos Estados Unidos é um processo judicial que pode levar 25 anos entre condenação, à pena de morte e a execução, com o criminoso preso durante todo esse período. No Brasil, o policial tem dois segundos e meio para decidir se volta para casa ou se vira estatística”, afirmou.
O episódio que motivou o debate (a morte de um homem suspeito de cometer furto a um comércio em Campo Grande) foi tratado, na avaliação do parlamentar, sem o devido cuidado jornalístico. Coronel David criticou duramente a divulgação do nome do sargento envolvido, do batalhão em que serve e até do comércio da esposa. “Isso não é informação. É colocar um alvo nas costas de um policial”, declarou.
Para o deputado, o ponto omitido na matéria foi que, embora o policial estivesse de folga, ele se identificou, deu ordem de parada e reagiu diante de uma ameaça real. “Uma chave de fenda mata. Ele reagiu para não morrer”, ressaltou David, observando que a atuação do militar se enquadra na legítima defesa e no estrito cumprimento do dever legal.
Coronel David alerta que a fragilização da imagem da polícia não atinge apenas a corporação, mas o próprio Estado. “Quem ataca a polícia enfraquece o Estado. Quem expõe o policial coloca vidas em risco”, afirmou.
O parlamentar também chamou atenção para o impacto humano por trás dos números. Para ele, cada ocorrência envolve famílias, histórias e consequências irreversíveis. “Para alguns, isso é estatística. Para mim, é um irmão de farda que pode não voltar para casa”, finaliza Coronel David.









