Os nematoides são vermes microscópicos presentes no solo que atacam as raízes das plantas, comprometendo o desenvolvimento e causando perdas significativas à agricultura. Segundo o engenheiro agrônomo Bruno Gabriel, esses organismos podem afetar tanto o sistema radicular quanto a parte aérea das culturas, tornando-se um dos principais desafios para os produtores.
Os danos diretos incluem lesões nas raízes, que se manifestam em forma de galhas, necroses, rachaduras e deformações. Além disso, há a redução do sistema radicular, resultando em raízes mais curtas e pouco funcionais, o que dificulta a absorção de água e nutrientes. Esse processo enfraquece as plantas, reduzindo seu vigor, atrasando o desenvolvimento vegetativo e diminuindo a produtividade, seja em menor número de grãos, frutos menores ou redução da biomassa.
Já os danos indiretos tornam as lavouras ainda mais vulneráveis. Plantas atacadas apresentam maior suscetibilidade a fungos e bactérias, sofrem estresse hídrico e nutricional mesmo em solos férteis e irrigados e resultam em desuniformidade na lavoura, com plantas fracas e mal desenvolvidas ao lado de plantas normais. Na parte aérea, os sintomas incluem o amarelecimento das folhas (clorose), murcha mesmo em condições adequadas de umidade, porte reduzido e, em alguns casos, desfolha precoce.
No Brasil, diversas culturas sofrem impactos severos. Soja e milho têm sua produtividade reduzida pelo ataque de Pratylenchus e Meloidogyne; na cana-de-açúcar, o Pratylenchus zeae compromete a longevidade do canavial; já batata, tomate e hortaliças são suscetíveis ao Meloidogyne incognita, conhecido como nematoide das galhas. Café e citros também sofrem perdas expressivas devido à ação de diferentes espécies. Diante desses riscos, o manejo adequado é essencial para preservar o potencial produtivo das lavouras.