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sábado, 13 de junho de 2026

Envelhecer com qualidade depende de cuidados que começam na infância

2012-05-02 13:15:00

O Brasil era conhecido na década de 1970 como um país jovem. Com o aumento da expectativa de vida, o número de idosos cresceu.

Entre 1998 e 2008, a proporção de idosos aumentou de 8,8% para 11,1%. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2008, eram 21 milhões de idosos no país.

Em números absolutos, esta população com mais de 60 anos já supera a da França, Inglaterra ou Alemanha. Para que eles tenham boa qualidade de vida, os cuidados devem começar cedo e serem contínuos.

Luiza Machado, coordenadora da Saúde do Idoso no Ministério da Saúde, afirma que a prevenção é fundamental para uma vida com saúde.

“A mãe que oferta um bom pré-natal ao filho e após o nascimento oferece um aleitamento materno de qualidade acaba por influenciar na qualidade de vida do idoso.

Ter uma alimentação saudável enquanto criança, adolescente e adulto e diminuir o uso do tabaco e das bebidas alcoólicas também trazem influências positivas”, explica.

“Se você quer que seu filho tenha uma velhice com qualidade, vai depender da forma com que você lidou com isso desde a infância”, resume.

De acordo com Luiza, o período escolar é um momento determinante para estabelecer hábitos saudáveis.

“Agora, nós temos o Programa Saúde nas Escolas, que ensina aos nossos jovens a importância da alimentação balanceada, que deve ter frutas e verduras e pouca carne vermelha e frituras, reduzindo as chances de que no futuro a pessoa tenha doenças, como a hipertensão, o diabetes e o sobrepeso”, afirma.

Tamara Checcacci, neurogeriatra do Hospital Federal da Lagoa, vinculado ao Ministério da Saúde, explica que a possibilidade de reduzir as chances de uma pessoa desenvolver hipertensão ou diabetes torna mais fácil o caminho para uma vida saudável.

“É claro que há fatores genéticos envolvidos na pré-disposição por essas doenças, mas a prevenção pode reduzir os riscos”. Ela acredita que a informação é fundamental para que posturas saudáveis sejam adotadas.

“Vejo que os jovens estão mais conscientes disso. Noto que muitas pessoas com mais de 60 anos não tiveram acesso a tantas informações como a juventude atual”.

Atividades intelectuais também colaboram para a saúde na terceira idade. “Nosso cérebro precisa ser estimulado constantemente.

Quanto maior a reserva cognitiva, maior o estudo que uma pessoa tem, melhor ela se manterá durante o tempo.

Se o cérebro está acostumado a trabalhar muito, ele vai poder se manter em melhores condições por um tempo muito maior.

A procura contínua do aprendizado melhora o envelhecimento”, afirma a neurogeriatra do Hospital Federal da Lagoa.

Mexer o corpo, com atividades físicas regulares, é outra forma de conseguir uma vida com qualidade.

“Uma simples caminhada traz um benefício muito grande. Além da movimentação corporal, a atividade física proporciona socialização. Ou seja, os ganhos são físicos, mentais e psicológicos”, garante Tamara.

Crescimento da população idosa – A expectativa é que a população idosa não pare de crescer no Brasil.

A estimativa é que os idosos serão 32 milhões em 2025 e maioria em 2050, superando o número de brasileiros de zero a 14 anos.

“As pessoas precisam acordar para o envelhecimento. É uma realidade. O contingente de idosos está cada vez maior. É importante destacarmos as campanhas de prevenção.

A grande maioria dos idosos no Brasil está em plena atividade, entre 60 e 70 anos, trabalhando, com plena capacidade funcional, desempenhando seu papel na sociedade”, afirma a coordenadora da Saúde do Idoso.

Segundo ela, o foco principal está na população mais idosa, com mais de 80 anos, que tem doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, mas que podem ser controladas.

“Queremos que o idoso viva muito, mas com qualidade, com a capacidade de desempenhar plenamente suas atividades diárias, sem precisar de ajuda”, completa Luiza Machado.
 

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