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terça-feira, 14 de julho de 2026

Periscópio “Lula, o camelô” por Antonio Luiz

2009-09-11 13:48:00

Lula, o camelô

Eu imagino o que os atuais líderes mundiais pensam do Lula. Diplomaticamente, a maioria elogia o presidente brasileiro, afirmando que ele é um exemplo a ser seguido, um homem que saiu do zero absoluto para a presidência de um país relativamente importante. Puro jogo de cena.

Lula é mentiroso, Lula é um “malandro oportunista”, Lula forma suas equações desequilibradas de acordo com o momento, se lhe interessa ou não.

Até há pouco tempo, Lula era o maior mascate do biodiesel. Em suas inúmeras viagens, dizia estar levando a solução planetária para a poluição causada pelos combustíveis fósseis. E agia como se a produção de biodiesel fosse obra exclusiva do seu governo, ignorando – aliás, ignorar é uma das características mais marcantes e pessoais dele – décadas de pesquisas e incentivos de outros governos.

Nesse momento, vive-se a desmensurada euforia que transformou o pré-sal na grande panaceia para o Brasil. A gente fica satisfeito em ler que a brilhante cientista política Lucia Hipólito, lembra bem desse fato, não esquecendo do tempo em que o presidente camelô distribuía às autoridades do mundo o ”kit biodiesel”, como se fosse a salvação para todos os problemas energéticos planetários.

Escreve ela no artigo “Pré-sal x Biodiesel. Quem vai vencer essa guerra“:

“Tudo traz à lembrança durante a grande festa da semana passada, quando o presidente lançou o marco regulatório do pré-sal.

Ao ver Lula distribuindo um “kit pré-sal” aos presidentes do Senado e da Câmara, fiquei pensando: “o petróleo é um combustível descoberto no século XIX, poluente e não-renovável. O biocombustível é a energia do futuro, limpa e renovável.

Será que o delírio dos petrodólares vai matar as apostas do Brasil no biodiesel?”

Com certeza, na opinião do presidente vira-casaca, o biodiesel já era. O negócio agora é grana. Grana que, diga-se, nem é tão concreta assim, pois para extrair o petróleo do tal pré-sal é necessário uma série de fatores, incluindo aí uma tecnologia de ponta ainda não testada, sem contar o tempo que isso levará.

Nas fotografias, tanto do biodiesel quanto do pré-sal, o gesto não mudou. Na de 2006, Lula exibe uma amostra do biodiesel produzido na usina Getúlio Vargas, em Araucária, no estado do Paraná. O que ele ergue é que mudou. Do balão volumétrico de vidro com biodiesel, passou para a miniatura de um barril de petróleo.

Agora, o presidente anuncia com entusiasmo a compra de 36 caças franceses que servirão para a defesa da riqueza do pré-sal. Esqueceu, porém, que na época da extração do petróleo, daqui a duas décadas, esses aviões estarão mais que obsoletos e, no caso de a inovação tecnológica em busca de alternativas energéticas ter sucesso, quem sabe também o petróleo fique obsoleto e voltemos ao biodiesel.

Cai Lula, cai!!!

As taxas de aprovação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao seu governo caíram nos últimos três meses, apesar de a percepção da população sobre a economia ter melhorado, segundo pesquisa divulgada pelo instituto Sensus.

O levantamento, encomendado pela Confederação Nacional dos Transportes, mostra que a avaliação positiva do governo caiu 4,4 pontos percentuais – de 69,8% no fim de maio para 65,4% no início de setembro. No mesmo período, a aprovação a Lula caiu 4,7 pontos – de 81,5% para 76,8%.

No caso da avaliação do presidente, o resultado foi puxado pelos eleitores mais escolarizados e de maior renda. Entre os que têm curso superior, a parcela que considera o desempenho de Lula ótimo ou bom encolheu nada menos que 16 pontos percentuais. No outro extremo, entre os eleitores que têm apenas o curso primário, a queda na aprovação foi bem menor – de apenas 3,1 pontos, quase dentro da margem de erro da pesquisa, de três pontos.

A divisão dos entrevistados por faixa de renda mostra que, entre os mais ricos, que ganham mais de 20 salários mínimos, a aprovação ao presidente caiu 10,9 pontos percentuais, enquanto oscilou negativamente apenas 2,7 pontos entre os mais pobres, que recebem um salário mínimo ou menos.

São três as possíveis explicações para o desgaste no período: a gripe suína, a crise no Senado e o episódio que envolveu a ex-secretária da Receita, Lina Vieira e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

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