2009-09-11 09:32:00
Vilson Nascimento
Duas adolescentes, uma de 17 e outra de apenas 15 anos, apreendidas na quarta-feira (9) transportando droga em ônibus na região de Amambai atearam fogo, na manhã dessa sexta-feira (11) em um colchão na cela onde estão recolhidas temporariamente, na Delegacia de Amambai.
As duas jovens, ambas residentes em Goiânia, estado de Goiás, foram apreendidas pelo DOF (Departamento de Operações de Fronteira) na rodovia MS-289, trecho que liga Coronel Sapucaia a cidade de Amambai, transportando 73 quilos de maconha em duas malas.
No ato a apreensão as adolescentes relataram aos policiais que tinham vindo de Goiás para fazer “programas” na cidade paraguaia de Capitan Bado, que faz divisa com Coronel Sapucaia no Brasil e que durante a estadia na fronteira, uma pessoa desconhecida teria lhes oferecido a droga, que elas teriam comprado e pretendiam revender na cidade de Goiânia, onde residem.
De acordo com o delegado de Polícia Civil de Amambai, Dr. Marcius Geraldo Cordeiro, desde que foram apreendidas, na quarta-feira, as adolescentes infratoras, que estão juntas em uma mesma cela ocupada por elas somente, tem apresentado problemas como badernas e xingamentos.
No início da manhã, se aproveitando de um palito de fósforo que uma delas carregava no bolso, as jovens decidiram atear fogo no colchão de espuma, causando labaredas e muita fumaça.
O Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente de Amambai, que está acompanhado o caso desde a apreensão das menores, informou que diante do ocorrido, o caso será levado ao conhecimento do Juizado da Infância e da Juventude da Comarca de Amambai para estudar a viabilidade de remoção das jovens, mesmo antes da aplicação das medidas sócio-educativa, as quais menores infratores são submetidos ao comerem crimes, para uma unidade de internação em seu estado de origem, Goiás.
Amambai não dispõe de local para abrigar menores
Apesar de estar situado em uma região de fronteira e na rota do tráfico internacional de drogas, sobretudo maconha vinda do Paraguai e ser corriqueira a apreensão de menores transportando drogas na região, Amambai não conta com um centro adequado para internação, mesmo que temporário, para colocar menores infratores.
Os adolescentes apreendidos por crimes diversos na cidade, quando em delitos de menor potencial ofensivo, são entregues aos cuidados da família e cumprem medidas sócio-educativas em liberdade.
Já no caso de crimes de maior potencialidade, como tráfico, por exemplo, na maioria das vezes praticados por adolescentes de outros estados, para garantir a aplicação das medidas cabíveis e inclusive garantir a proteção dos próprios adolescentes, já que a maior parte são de famílias humildes e sem recursos para vir até Amambai para acompanhar os filhos, os adolescentes são mantidos, em caráter temporário e sob acompanhamento do Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente, em celas na Delegacia de Amambai, até que surjam vagas para internações em unidades educacionais para menores infratores aqui mesmo no Estado ou sejam levados para seus estados de origem.
Juizado tem projeto para centro de internação
Preocupado em solucionar essa situação e prestar assistência adequada, com atividades e ações educacionais para recuperar, principalmente os menores infratores da cidade, há mais de dois, o juiz titular da Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Amambai, Dr. Thiago Nagasawa Tanaka, na época com apoio do Promotor da Infância e da Juventude, Dr. Ricardo Rotunno, hoje integrante do GAECO,
Um local onde os adolescentes pudessem cumprir suas medidas sócio-educativas recebendo assistência especializada e atribuições que garantiriam a eles, suporte para abandonar o mundo do crime e retornar ao convívio da sociedade regenerados.
O projeto, que na época ganhou o “apoio moral” de todos os seguimentos da sociedade local, ainda não saiu do papel por falta de apoio governamental, que é fundamental para que o centro educacional se torne realidade.










