17.9 C
Amambai
domingo, 12 de julho de 2026

Opinião “Bafômetro na Guaíra-Porã” por R. Ney Magalhães

2009-08-25 09:19:00

A sociedade do MS e principalmente de Amambai, com tristeza, semanalmente acompanha, estarrecida, as matérias do A GAZETA e demais jornais do Estado, noticiando atropelamentos de pedestres, ciclistas e carroceiros indígenas.

Não bastasse a degradação do asfalto, com crateras que danificam os veículos, prejudicando o fluxo rodoviário e causando danos financeiros, os usuários desta Via de Progresso do Cone Sul e que é o corredor de exportação, maior arrecadador do FUNDERSUL, sofrem danos físicos, materiais e morais.

A maldita cachaça, que destrói famílias, degradando a sociedade, é a grande culpada.

Bafômetro para os pedestres e punição severa para os vendedores de pinga aos índios.

Comerciantes inescrupulosos continuam vendendo pinga e outras bebidas alcoólicas aos incautos indígenas, e são assim coniventes e responsáveis diretos pelas mortes e outras consequências ocorridas.

Pobres índios desassistidos e pobres membros desta sociedade dita como organizada.

Dourados faz manifestações pedindo a duplicação da rodovia de acesso à Universidade Estadual, que atende também ao trânsito das aldeias ali existentes, uma estrada de fluxo intenso e compartilhada por pedestres, principalmente indígenas, também quase sempre, e infelizmente, alcoolizados.

Os trechos da Guaíra-Porã, partindo de Amambai para Tacura, na direção da Aldeia Limão Verde, ou rumo à Aldeia Amambai e das cooperativas COAMO, C.VALE e COPERSA, são considerados percursos de alta periculosidade. Atropelamentos e mortes acontecem diuturnamente – e nem sempre os acidentes são notificados.

Quase a totalidade dos acidentes é provocada pelas condições de transeuntes alcoolizados, e cem por cento deles são índios.

A perda de um ente próximo e querido é sentida pelos indígenas como no íntimo de qualquer outro cidadão, chamado de não-índio.

Suicídios de jovens e outros fatos insólitos que estão acontecendo nas aldeias da região têm muito a ver com o sentimento da falta do arrimo assistencial que vinha sendo praticado por aqueles “mais velhos” mortos, acidentados nas rodovias.   

Tempos atrás, por aqui, os índios faziam manifestações, com fechamento das estradas e que aconteciam a título de reivindicação de trânsito alternativo e seguro. Nos últimos anos, eles, assim como os demais cidadãos, não mais acreditando em ações governamentais, pararam até de reclamar.

Ações da Polícia Federal deveriam acontecer com mais frequência, fiscalizando a venda de bebidas alcoólicas ou descobrindo a maneira como a “cachaça” chega às suas mãos, e até para comprovar a veracidade ou não da participação de indígenas como usuários ou “mulas” no tráfico de drogas, fatos muito comentados na região.

“Pobres índios e pobres membros desta sociedade dita como organizada…”

A Praça Valêncio de Brum, no centro da cidade de Amambai, é um dos palcos da tragédia que apresenta índios maltrapilhos e com evidentes sinais de embriaguez. Aqueles frios bancos de concreto são testemunhas da falta de Política Indigenista, e que causam pena e indignação aos cidadãos que transitam naquele local. Triste retrato de uma época em que os últimos e atuais mandatários do Governo Federal, demagogicamente mancomunados com ONGs internacionais, desviam o foco da questão, falando em aumentar as áreas de terras das reservas.

Sem ter procuração, mas pela convivência e como conhecedor de boa parte da história desses irmãos abandonados, ouso afirmar que “eles” desejam ser literalmente integrados nesta sociedade civil hipócrita, mas real, e não fictícia e politicamente enganadora.

Nos bons tempos dos ervais da Cooperativa de Mate Amambai Ltda., da qual fui integrante e participante ativo, a mão-de-obra especializada era composta por índios guaranis que, residentes nas Reservas Amambai e Taquapery ou nas aldeias Chaco-y e Potrero Manta, nas imediações de Capitan Bado, em território Paraguayo, vinham trabalhar e participar na formação das riquezas e organização deste Município.

Os cidadãos políticos da época fizeram a sua parte, e isso se comprova com a eleição de até dois índios como vereadores em uma mesma Legislatura. A integração era um fato iminente.

A política assistencial do índio era executada pelas Prefeituras, nos moldes eficientes do SUS de hoje, e assim, com decisões rápidas e acertadas, acompanhadas de perto pelos interessados.

“Bafômetros para os pedestres e punição aos vendedores de PINGA para os índios!”

“POBRES ÍNDIOS E POBRES MEMBROS DESTA SOCIEDADE DITA COMO ORGANIZADA.”

R. Ney Magalhães
Produtor Rural em Amambai


Leia também

Edição Digital

A Gazeta publica suplemento especial pelo aniversário de 114 anos de Ponta Porã

Redação O Grupo A Gazeta lançou o Suplemento Especial de...

Enquete

<--
-->