2009-08-21 08:43:00
Asneiras iradas
Eu não sei se alguém que está lendo esse Periscópio já teve “saco” de entrar no site do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e dar uma espiada nas baboseiras que eles escrevem, supostamente em defesa dos índios e não por interesses de ONGs e oportunistas, se é que me entendem. Eu acessei o site uma única vez, e mesmo assim obrigado, para ler o que os imbecis haviam comentado sobre um artigo que escrevi. Na verdade, nem encontrei o tal comentário e também me lixei para eles, assim como me lixo para todos aqueles que não aceitam opiniões contrárias às suas, os tais fascistas aos quais eles se referem num trecho que tiveram o cinismo de publicar. E para ficar bem claro, eu não fui ao site procurar essa matéria, apenas a recebi por e.mail enviado por gente que defende o direito à propriedade, democraticamente. E eles ficaram muito bravos com a suspensão das demarcações. Leia o trecho e tire suas próprias conclusões, independentemente da minha opinião.
“A Fundação Nacional do Índio (FUNAI) assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Procuradoria-Geral da República, de Dourados, comprometendo-se a resolver a questão da exigência constitucional de devolução de seus territórios tradicionais aos Kaiowa-Guarani de Mato Grosso do Sul. Faz 21 anos também que o Estado Brasileiro se comprometia através (sic) do Art. 67 da Constituição Federal de 1988… A forte reação do autodenominado “setor produtivo” de MS incluiu uma desproporcionada e ridícula campanha de corte ideológica fascista que motivou a vinda ao Estado de variadas delegações, como do Márcio Meira, presidente da FUNAI, Ministério Público Federal, do relator para assuntos indígenas das Nações Unidas, da Agência Nacional de Inteligência (ABIN) e, no mês passado, do general Jorge Armando Félix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.”
E lá pelas tantas o texto tasca: “O Governo do Estado liberou quase meio milhão de reais para serem distribuídos através (sic) da Associação dos Municípios do Mato Grosso do Sul (ASSOMASUL). O repasse é para que os municípios, que supostamente vão ser afetados em sua economia pela demarcação, possam pagar, com o dinheiro dos contribuintes, passagens, advogados e antropólogos particulares para contestar os estudos que serão feitos pela FUNAI em terras indígenas.”
Em relação à tal ação do Governo do Estado, o coordenador do CIMI, Egon Heck, se manifestou dizendo: “A descompostura parece tomar contornos surrealistas. O dinheiro público, do cidadão deste Estado, dos pobres que acabam sendo os que pagam impostos, é desviado deslavadamente para ações desumanas de impedir o sagrado direito a um pedaço de chão aos seculares habitantes destas terras”. E mais: “Os indígenas temem que o dinheiro não seja só para contratar advogados e antropólogos para contestar o processo de demarcação por meio de artimanhas jurídicas”.
Com a ressalva de que mesmo não concordando com nada que os “caras” dizem, defendo o direito de eles pensarem o que quiserem, desde que não interfiram na vida das pessoas que não concordam com eles. Mas, vamos começar pelo final: O CIMI dissimula a suposição de que os índios achem que o dinheiro destinado aos municípios seria para pistoleiros. O senhor Egon Heck não deve ser um bom leitor, senão ele saberia que não são os produtores que roubam o povo e sim os políticos e que, ao que eu saiba, ninguém morre por não ter “mais terras”, improdutivas, diga-se. E pelo viés ideológico do CIMI, eles devem ter votado num bom punhado de políticos de um certo partido que criou uma aberração chamada “mensalão”. Nem preciso dizer qual.
Como maus leitores e eleitores, o pessoal do CIMI chama os produtores de fascistas. Segundo o Aurélio, o fascismo é um sistema político nacionalista, imperialista, antiliberal e antidemocrático. Exatamente o que os produtores não são. Na verdade, a palavra “fascista” aqui no Brasil tornou-se um termo pejorativo para indicar aqueles que não comungam a mesma opinião e geralmente usam a violência para mostrar sua insatisfação. Muito pelo contrário, os produtores, além de gerar riqueza para o país, ainda têm a nobre missão de alimentar o planeta. Seja ele brasileiro ou nepalês.
E por fim, chega a ser risível que uma entidade que se diz defensora dos indígenas nem saiba qual o Artigo da Constituição que trata dos direitos dos índios. O tal Artigo 67 da Constituição que eles invocam trata de algo que nada tem a ver com o assunto. Os artigos que tratam de indígenas são os 231 e 232. Ou seja, o que não faltou à matéria foi asneira.













