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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Opinião “Frases feitas e insulto” por Antonio Luiz

2009-08-08 02:15:00

No Brasil existem expressões que precisam ser banidas: “levar vantagem em tudo”, “jeitinho brasileiro” e “todo mundo faz”. Essas são três pragas que, ainda, assolam o dia-a-dia deste Brasil varonil.

A crise política protagonizada pelo oligarca José Sarney e seu clã contém as três pragas descritas acima.

Os asseclas de Sarney, em sua defesa, insistem em colocar em prática o velho e surrado “todo mundo faz”. Com isso, reeditam outra praga: “é tudo farinha do mesmo saco”.

Em resposta à decisão dos tucanos, que entraram com três representações no Conselho de Ética contra José Sarney, o chefe da tropa de choque do PMDB, Renan Calheiros, ameaça representar contra o líder tucano, Arthur Virgílio, logo no início dos trabalhos legislativos, na próxima semana, por ter mantido em seu gabinete um servidor fantasma e ter tomado um empréstimo pessoal de Agaciel Maia.

O ex-amante de Mônica Velloso admite que a decisão tomada pela tropa de choque do PMDB é um ato de “reciprocidade”. Para o alagoano, quem com ferro fere, com ferro será ferido.

Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado, deverá ser denunciado pelo PMDB ao Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar.

Dito e feito. A representação ficou pronta ontem à noite. Foi entregue por um assessor de Renan Calheiros a Paulo Duque, o presidente do Conselho.

Virgílio é acusado de ter pago, durante dois anos, o salário de um assessor que foi estudar em Barcelona.

A entrega da representação a Duque não tem valor legal. Para que o Conselho a receba, ela terá de ser protocolada na secretaria do Conselho.

 Na quarta-feira, o senhor Sarney fez um discurso de quase uma hora para se defender – e ele tem todo direito de fazê-lo -, mas nem me dei ao trabalho de ler o pronunciamento, pois qualquer coisa que ele diga, sempre será um insulto à minha inteligência. Até porque, vigarista é vigarista. O que não falta na política brasileira.

Cahorrada Presidencial

Por falar em frases feitas, me lembro de uma que costumava ler e ouvir quando era jovem. Sinal que faz muito tempo que não ouço, mas vale a pena lembrá-la: “mais vale ter um cachorro amigo do que um amigo cachorro”. Se aplica literalmente ao nosso estimável presidente da República. Depois das sucessivas declarações de apoio ao presidente do Senado, José Sarney, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que não está mais disposto a sair publicamente em defesa do bigodudo. Lula, que há apenas alguns dias falava em respeito à “biografia” de acusados e afirmava que nem tudo pode ser tratado como “crime de morte”, dessa vez declarou que a permanência de Sarney no cargo é um problema que cabe exclusivamente ao Senado.

“Não é problema meu. Não votei no presidente Sarney para ser presidente do Senado. Nem votei nele para ser senador no Maranhão”, disse Lula, que se atrapalhou ao citar o Estado representado por Sarney na Casa – ele foi eleito pelo Amapá. “Não votei no Arthur Virgílio, não votei em ninguém. Eu votei nos senadores de São Paulo. Então, quem tem que decidir se o presidente Sarney tem de ficar na presidência do Senado é o Senado, não eu”, concluiu.

Diante do agravamento recente da crise, após o Estado revelar que Sarney negociou com o filho, Fernando Sarney, a contratação do namorado de sua neta na Casa, Lula já havia sido orientado por auxiliares a amenizar o apoio ao senador. Antes disso, ele não apenas distribuía declarações favoráveis a Sarney, como chegou a enquadrar a bancada do PT quando senadores ameaçaram pedir o afastamento do peemedebista. No início desta semana, Lula reuniu a coordenação política do governo e desautorizou o líder petista Aloizio Mercadante a falar em nome da bancada, após o senador pedir, em nota, a licença de Sarney do cargo.

Por isso, eu prefiro meu cachorro, o Juca. Ele, pelo menos, é fiel.

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