2009-07-18 09:49:00
“Operação Brothers” é o nome da nova linha de investigação iniciada pela Polícia Federal contra políticos e empresários de Dourados.
O inquérito, comandado pelo delegado Bráulio Cezar Galloni, foi instaurado contra os irmãos Eduarte Dias Leite e Everaldo Dias Leite, donos da empresa que faz o serviço de limpeza pública da cidade há pelo menos 12 anos. Por isso a investigação ganhou o nome de operação brothers (irmãos, em inglês).
Durante a Operação Owari, que prendeu 42 pessoas, entre elas os irmãos Dias Leite e o empresário Sizuo Uemura – apontado como o líder da organização criminosa que fraudava licitações em Dourados, Ponta e Naviraí –, a Polícia Federal descobriu indícios de outros crimes praticados pelos empresários envolvendo servidores públicos.
A investigação contra os irmãos foi desmembrada, dando início à nova operação.
De acordo com o relatório da Polícia Federal sobre as investigações, a maioria dos envolvidos com o esquema comandado pelos irmãos Dias Leite tem ligação direta com a organização de Sizuo Uemura.
Eduarte e Everaldo Dias Leite são acusados de dez crimes – corrupção de servidores do executivo e legislativo, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, desvio de verba pública, fraude de licitações, crimes contra a ordem tributária, crime contra o sistema financeiro nacional, sonegação de contribuição previdenciária, descaminho e financiamento irregular de campanha.
“Embora no primeiro momento tenham mantido contato e até negócios em comum com a família Uemura, posteriormente os irmãos Dias Leite constituíram um grupo autônomo. Fica claro que tal organização, também detentora de grande poder econômico, está da mesma forma infiltrada na estrutura do Estado, agindo em diversas frentes através de empresas próprias ou em nome de ‘laranjas’, contando com a colaboração de servidores públicos das mais diversas esferas em conluio com outros empresários”, diz o delegado Bráulio Galloni no relatório sobre a operação.
Segundo a Polícia Federal, era a organização dos irmãos Dias Leite que fornecia as notas fiscais para “calçar” os orçamentos apresentados pela organização de Sizuo Uemura para vencer licitações fraudulentas. A investigação descobriu que foi com apoio do esquema dos irmãos que a família Uemura conseguiu reformar o Hospital Santa Rosa e alugá-lo para a prefeitura. A obra teria sido paga pelo cofre público.
Desde 2007 o Santa Rosa funciona como Hospital da Mulher, sendo custeado com dinheiro do SUS (Sistema Único de Saúde). A prefeitura paga R$ 100 mil por mês aos Uemura pelo aluguel da estrutura.









