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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Kayatt mantém secretários e desafia investigação da PF

2009-07-15 00:37:00

O prefeito de Ponta Porã, Flávio Kayatt, do PSDB, emitiu comunicado ontem à tarde, afirmando que não vai afastar nenhum secretário que teriam sido indiciados por ligação com a quadrilha que fraudava licitações presa na semana passada durante operação da Polícia Federal que ficou conhecida como owari (ponto final, em japonês). No comunicado divulgado por sua assessoria, Kayatt fez também um desafio: “mostrem-me onde meus secretários erraram e, aí sim, eu determino o afastamento”.

Já em Dourados, o prefeito Ari Artuzzi, do PDT, afastou dez servidores que estariam envolvidos com o bando, quatro dos quais ocupavam cargos de secretários municipais. A operação owari pôs na semana passada 42 pessoas na cadeia, todas já libertadas por determinação judicial.

A PF indiciou o vice-prefeito de Ponta Porã, Eduardo Esgaib Campos Filho, que também ocupa a secretaria de Governo, uma das mais importantes de Kayatt, e ainda a assessora jurídica do município, Paula Consalter, mulher do vice-prefeito. A PF teria indiciado mais dois influentes secretários do município e um chefe de gabinete.

Esgaib Filho e Paula foram presos durante a operação, e soltos três dias depois por força de medida judicial.

O Midiamax tentou confirmar os indiciamentos com o delegado da PF, Bráulio César Gallone, que conduz a investigação, mas até o fechamento desta reportagem, o policial não havia respondido a questão, encaminhada por e-mail.

No dia operação, 7 deste mês, Gallone disse à imprensa que além das prisões, ao menos cem pessoas poderiam ser indiciadas por suposta participação na quadrilha que fraudava as execuções de serviços públicos.

O prefeito Kayatt sustenta no comunicado divulgado por e-mail, que vai pedir que a justiça investigue sem segredos a suposta participação de seus secretários. No início desta semana, uma medida judicial determinou sigilo nas investigações acerca da participação de um dos implicados no caso, Eduardo Uemera, filho de Sizuo Uemura que, segundo a PF, seria o chefe da quadrilha.

“Em minha vida política, vitoriosa, por sinal, nunca abandonei um companheiro. Não seria agora, quando existem apenas suspeitas e, nenhuma prova concreta de que algum deles errou”, afirma o prefeito no comunicado.

Os secretários supostamente incluídos na investigação teriam prestado depoimento ontem à PF, em Ponta Porã. Procurado pela reportagem, os policiais de lá disseram que “apenas” o delegado Gallone poderia comentar o caso.

O comunicado do prefeito Kayatt foi emitido logo após uma reunião conduzida por ele nesta manhã e que contou com a participação de todos seus secretários.

Na nota, o prefeito afirma que “não há nenhum indício que comprometa a seriedade dos secretários e dos atos praticados pela administração municipal”.

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