2009-06-12 14:49:00
Diante da crise enfrentada pela indústria da carne, os pecuaristas de Mato Grosso do Sul têm procurado alternativas para fugir de possíveis calotes por parte do setor frigorífico.
A solução encontrada é a venda à vista dos animais. Nesta semana, a Famasul (Federação de agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul) e sindicatos rurais lançaram a campanha “Só à vista”.
Maia não acredita que os frigoríficos tenham dificuldades para comprar animais à vista e toma como exemplo o caso do Independência, onde somente 10% da dívida do grupo são com os produtores. Além disso, com o pagamento à vista o preço do boi gordo tende a cair e, caso os frigoríficos repassem ao consumidor o consumo pode aumentar.
Tanto Ademar Silva Júnior, quanto Francisco Maia enfatizaram que o risco do pecuarista em financiar as indústrias frigoríficas é muito alto. De agosto do ano passado a fevereiro deste ano, a dívida acumulada dos frigoríficos com pecuaristas de Mato Grosso do Sul passava dos R$ 93 milhões, correspondentes a 91 mil cabeças.
O presidente da Assocarne (Associação dos Frigoríficos de Mato Grosso do Sul), João Alberto Dias, disse que atualmente a maioria dos estabelecimentos de pequeno e médio porte já paga à vista. A entidade representa 22 indústrias de Mato Grosso do Sul – com escalas de abate de até mil animais ao dia.Normalmente, a comercialização “padrão” entre pecuaristas e frigoríficos é feita a prazo, com pagamento para 30 dias. No entanto, conforme o presidente da Acrissul, Francisco Maia, a atual situação do mercado não dá opções ao produtor, que prefere a venda do rebanho à vista do que correr o risco de não receber devido à crise financeira dos frigoríficos.
Conforme o presidente da Famasul, Ademar Silva Júnior, lembrou que o momento é delicado e que os pecuaristas que vedem a prazo estão assumindo um grande risco.
Analistas de mercado têm apresentado dados comprovando que a situação do grupo Independência, em processo de recuperação judicial, não é isolada e que outros grandes grupos podem entrar em situação de insolvência também por falta de capital de giro.









