2009-05-28 16:27:00
Vilson Nascimento
Vai a júri popular nesta sexta-feira (29) em Amambai, o ex-vereador de Coronel Sapucaia, Daniel Lescano.
Daniel, que é indígena guarani-kaiowá, é acusado de ter mandado matar, em novembro de 2007, o também indígena, Alcindo Marques de 61, crime ocorrido na região da Aldeia Taquapery, onde a vítima morava e trabalhava como agente de saúde. Ele foi assassinado com uma facada no peito.
Na mesma noite do assassinato grupos de indígenas da própria aldeia realizaram a detenção e entregaram à polícia o indígena Lousinho Lescano Benites, de 22 anos, apontado como sendo o autor do crime.
Ao ser entregue aos policiais e em depoimento na Delegacia, Lusinho teria confessado a autoria do crime e relatado que teria assassinato o agente de saúde a mando do então vereador
Diante das acusações em seu desfavor, Daniel fugiu, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, o mandato cassado na Câmara de Coronel Sapucaia e acabou preso em agosto do ano passado (2008) por uma equipe da Polícia Federal dentro da própria Aldeia Taquapery, onde reside.
Ex-vereador nega as acusações
Dias antes de ser preso, o ex-vereador Daniel Lescano concedeu uma entrevista ao sita A Gazetanews onde negou as acusações que pesam em seu desfavor e foi categórico em afirmar que foi vítima de armação política, tanto no âmbito da política partidária como na disputa interna pelo cargo de capitão dentro da aldeia, onde grupos tentava destituí-lo do posto de capitão.
Segundo Daniel Lescano ele nunca se desentendeu com o agente de saúde assassinado, pelo contrário, teria sido ele que teria articulado a vinda de Alcindo Marques da Aldeia Sassoró em Tacuru, para a Aldeia Taquapery pelo laço de amizade entre eles.
Acusado de matar também nega
Apesar de ter confessado à polícia ao ser preso que havia recebido R$ 140,00 de Daniel Lescano para assassinar Alcindo Marques, em depoimento
Perante o magistrado Lousinho teria relatado que só confessou o crime porque teria passado uma noite inteira amarrado e apanhando dos próprios indígenas que o obrigavam a assumir o crime e culpar Daniel Lescano pelo assassinato.
Segundo teria relatado Lousinho, ele recebia ameaças que se não mantivesse a versão na polícia seria assassinado ao deixar a cadeia.
Defesa vai defender negativa de autoria
Por se tratar do mesmo processo, os dois acusados, Daniel Lescano e Lousinho Benites, irão sentar lado a lado no banco dos réus nesta sexta.
A defesa de Lousinho, acusado de cometer o crime, será feira pelo Procurador Geral da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) em Amambai, Dr. Luiz Cezar Azambuja Martins e a defesa do ex-vereador Daniel Lescano, acusado de ser o mandante, ficará a cargo dos advogados criminalistas, Dr. Leopoldo Azuma e seu filho, Felipe Azuma.
Segundo Dr. Leopoldo Azuma, as duas defesas defenderão a mesma tese, negativa de autoria. Já o Ministério Público Estadual, que atuará na acusação, deverá defender a tese da autoria e pedir a condenação dos réus.








