2009-05-22 09:50:00
A invasão da Fazenda Cachoeira por sem-terra, em Tacuru, essa semana, nos faz refletir sobre o descompromisso do Governo Federal com a nossa região. Os sem-terra querem pressionar o Incra para adquirir a área que vem sendo “negociada” há 5 anos. O receio dos invasores é que a área seja destinada a indígenas através do estudo que a Funai está promovendo na região sul do Estado, em 28 áreas. A nossa região compreende uma das mais produtivas do Mato Grosso do Sul, nas áreas agrícola e pecuária, mas o Governo Federal não enxerga isso.
Desde que a Funai publicou as portarias determinando que 26 municípios da região fossem alvo de estudos para fins de desapropriação de áreas produtivas para se transformar em aldeias indígenas, isso há pelo menos um ano, a instabilidade tomou conta do campo. Além de ter que enfrentar todas as intempéries do clima e as variações dos preços dos produtos agrícolas, os produtores convivem com essa ameaça.
A Fazenda Cachoeira localiza-se no município de Tacuru, na rodovia que dá acesso àquela cidade. Em 2007, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) chegou a realizar a audiência pública que definiu a aquisição da área pelo Governo Federal para servir ao processo de reforma agrária no Estado. Mas todo o processo está parado por conta dos estudos para demarcações de terras indígenas. Agora, a preocupação do proprietário é com os resultados dos estudos antropológicos e com os sem-terra, que estão na propriedade.
Nenhum governo conseguiu resolver o problema da reforma agrária no país. E muito menos o Lula, que era um incentivador das invasões de terras, quando não estava no Governo. Em 2007, por exemplo, o Governo tinha meta de assentar 100 mil famílias, mas assentou apenas 6 mil.
A disputa dos sem-terra e dos índios (leia-se antropólogos e ONGs que falam em nome das comunidades indígenas), revela uma questão que não é tratada com responsabilidade pelo Governo Federal. Não se resolve um problema causando outro problema. Daqui a pouco o assentamento Itamarati (que aliás não é nenhum modelo de reforma agrária), que tem cerca de 50 mil hectares abrigando cerca de 2 mil famílias, poderá também entrar na disputa dos índios, já que está localizado na área de estudo da Funai. Uma verdadeira bagunça!!!









