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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Coluna Periscópio “Até tu, Gabeira!” por Antonio Luiz

2009-05-02 11:38:00

Até tu, Gabeira!

**Quem leu a revista Veja desta semana tomou conhecimento do tamanho da safadeza que permeia no Congresso Nacional e a corja de salafrários travestidos de parlamentares que tungam nosso dinheiro cinicamente. Como sempre digo, e muita gente me critica, somos uns otários, ou melhor, somos os maiores idiotas do mundo. Afinal, quem coloca essa súcia no poder somos nós, o povo brasileiro.

Até alguns parlamentares que se tinha em alta conta andaram “pisando na bola” na confusão que se estabeleceu com a divulgação da “farra das passagens aéreas”. O senador Gerson Camata – que eu tinha em boa conta – chegou a chorar no plenário. O choro não foi de vergonha por receber auxílio moradia de 6.800 reais, mesmo tendo apartamento próprio em Brasília; foi porque seu nome foi divulgado na imprensa como um dos achacadores do povo brasileiro. Sentiu vergonha, não de ser um patife, mas de saber que o povo tomou conhecimento do seu mau caráter.

Até um dos poucos ídolos que tenho no Congresso, o deputado Fernando Gabeira, declarou que arranhou espontaneamente sua imagem política. Gabeira fez o que todos os políticos deveriam fazer ao perceber que incorreram em um erro. Ele sabia que seu nome não constava nas listas de deputados que utilizaram passagens aéreas internacionais fornecidas pelas empresas aéreas TAM e Gol ao Ministério Público, pois os familiares de Gabeira viajaram ao exterior em empresas aéreas estrangeiras. Portanto, o deputado carioca poderia ter se calado.

Mostrando o seu bom caráter, o deputado Fernando Gabeira decidiu anunciar que seus familiares viajaram com cotas de passagens aéreas do seu quinhão.  

Fez muito bem Gabeira em confessar o erro, apesar da indignação que causou a uma boa parte de seus pares.

Feito isso, Gabeira abriu o coração à Nação, mas se expôs às críticas de seus adversários e deu o mote para que os infratores usassem seu deslize como defesa sob a ótica da máxima que todos estão na mesma vala comum.

O problema é que Gabeira escorregou nas palavras ao tentar explicar as denúncias da mídia. A maioria dos jornalistas não se conforma com o fato de Gabeira, na defesa do Congresso Nacional, ter arranhado a sua profissão de origem.

Alguns jornalistas afirmam que Gabeira falou demais ao anunciar ter usado a sua cota de passagens para viagens ao exterior de familiares. Afinal, dizem eles que o nome de Gabeira não estava na relação dos parlamentares que usaram o mesmo artifício, em poder do Ministério Público, pois as passagens de Gabeira foram todas de empresas aéreas estrangeiras e o MP só conseguiu informações da TAM e da Gol.

Gabeira disse que a mídia ataca o Congresso Nacional por não ser um anunciante do peso do Executivo, que incomodado pode cortar anúncios em jornais, revistas, rádio e televisão, como o fazem muitos governos estaduais e prefeituras ao se sentirem acossados pela mídia regional.

Ao traçar o parâmetro com o Executivo, Gabeira se trumbicou, pois a mídia não tem deixado de denunciar as mazelas desse poder republicano.

Mas fez bem Gabeira em se antecipar e não omitir o delito.

Sua confissão, o fez maior perante os que o admiram. Afinal, não poderiam esperar outra atitude.

O silêncio, nesses casos, é típico dos que fazem da esperteza regra de vida.

Calado, Gabeira corria o risco de cometer o suicídio político, pois dia menos dia poderia ser denunciado pelo delito e crucificado por não ter aberto o jogo pelo erro praticado.

Docemente constrangido eu continuarei, apesar da decepção, a admirar o deputado carioca. Afinal, ele é um dos pouquíssimos que se salvam naquele antro de malfeitores.

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