2009-04-05 08:07:00
Mais de 60% das mortes ocorridas no mundo são causadas por doenças crônicas não transmissíveis, como as coronárias e os cânceres. No Brasil, o padrão é semelhante, com destaque para as doenças do aparelho circulatório (29,4%) e as neoplasias (15,1%). Entre a década da 1930 e 2005, aumentou em mais de três vezes a mortalidade de brasileiros por causa dessas doenças modernas.
A maioria, no entanto, poderia ser evitada se os brasileiros tivessem o hábito de praticar atividades físicas. Para tentar mudar esse quadro, o Ministério da Saúde lança hoje, Dia Mundial da Atividade Física, em parceria com o Ministério dos Esportes, um plano nacional de incentivo aos exercícios.
Segundo o Ministério da Saúde, o número de brasileiros que praticam atividade física regular aumentou em 2008, mas ainda é baixo. Hoje, 16,4% da população é considerada ativa. A Organização Mundial de Saúde considera ativa a pessoa que pratica 30 minutos de exercícios leves ou moderados por pelo menos cinco dias na semana.
Já o número de sedentários caiu. Foi de 29,2% em 2007 para os atuais 26,3%, mas ainda é considerado insatisfatório pela coordenadora geral de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Ministério, Deborah Malta:
– O brasileiro está mais atento à importância de praticar atividade física e fez avanços significativos, mas pode melhorar ainda mais.
Nova realidade– O presidente do Departamento de Ergometria, Exercício e Reabilitação Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Ricardo Sivaqua, garante que uma pessoa que sofre de diabetes, alto colesterol ou problemas cardíacos e não pratica atividades físicas tem, no mínimo, o dobro de riscos de sofrer complicações do que os que sofrem dos mesmos problemas mas praticam alguma atividade. Os exercícios são indicados mesmo para pessoas que já passaram por cirurgias cardíacas.
– Na década de 1960, nossos pacientes que haviam realizado alguma cirurgia cardiovascular ficavam parados – lembra o médico.
– Mas agora as recomendações são outras, devem exercitar para evitar reincidência. É preciso combater o sedentarismo. Cerca de 80% das pessoas de faixa etária avançada que ficam dois anos sem praticar atividades físicas sofrem de complicações cardiovasculares.
Na terceira idade, o número de sedentários é ainda mais preocupante: 51,7% dos homens com 65 anos ou mais são sedentários. Nas mulheres da mesma faixa etária a percentagem é de 53,2%.
Na cidade do Rio de Janeiro, 20% dos homens com 18 anos ou mais praticam atividade física com uma frequência satisfatória. Mas a cidade ocupa apenas a vigésima posição no ranking dos homens dessa faixa etária que praticam exercícios suficientes. Em Macapá, a primeira no ranking, o percentual é de 29%. Natal é a capital com o maior número de pessoas sedentárias, 32,3%.
De maneira geral, os homens praticam mais exercícios físicos que as mulheres. A frequência de atividades entre o sexo masculino é de 20,6% contra 12,8% no sexo feminino. Em ambos os sexos, quanto maior a escolaridade, maior a frequência da prática de atividades físicas.
O sistema de monitoramento de fatores de risco e proteção para doenças crônicas do Ministério da Saúde, conhecido como Vigitel, considera sedentário o indivíduo que não pratica atividade física no lazer, não realiza esforços físicos intensos no trabalho, não se desloca para o trabalho a pé ou de bicicleta e não cuidam da limpeza pesas de suas casas.










