2009-03-27 01:29:00
Vilson Nascimento
O Frigorífico Garantia, pertencente ao grupo Torlin Produtos e Alimentos Ltda. anunciou oficialmente nessa quarta-feira (25) que irá encerrar suas atividades em Amambai e demitir os cerca de 300 funcionários que trabalham regularmente na empresa.
O anúncio foi feito ao presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Derivados de Amambai, Alcemar Rodrigues Dorlenes, durante uma reunião realizada com dirigentes na sede da empresa, situada na MS-156, trecho que liga Amambai a Caarapó, a cerca de três quilômetros da cidade em Amambai.
Fechamento já era esperado
Desde o final do ano passado (2008) o frigorífico já vinha reduzindo os abates e dando sinais que estava mal das pernas.
No mês passado a empresa colocou parte dos funcionários em situação de aviso prévio e concedeu férias coletivas ao restante.
Nesse período a empresa permaneceu sem abater e sem parceiros que investissem para gerar capital de giro para comprar gado, entrou em colapso e teve inclusive e energia cortada, obrigando a implantação de um “rabicho” de sítio vizinho para manter a parte administrativa do frigorífico funcionando.
De acordo com o Sindicado dos Trabalhadores na Indústria da Carne de Amambai nesse período a empresa também teria deixado de honrar compromissos com os funcionários, deixando de distribuir as cestas básicas e pagar salários e férias devidas, fator que passou na preocupar os funcionários e mobilizar o sindicato da categoria.
Pagamento dos direitos dos trabalhadores é preocupação do Sindicato
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Carne em Amambai, Alvemar Rodrigues, durante a reunião com a direção da empresa na manhã de quarta-feira a empresa teria afirmado que começará a pagar as rescisões dos demitidos e as dívidas com os funcionários a partir da semana que vem.
De acordo com a entidade a direção da empresa anunciou que quem recebe até R$ 500,00 por mês receberá o acerto em parcela única, quem recebe até R$ 1.000,00 receberá em duas parcelas e quem recebe salários de até R$ 1.500,00 receberá os vencimentos a que tem direito em três parcelas.
O Sindicato da categoria vê esse anuncio com desconfiança esta afirmação da direção da empresa, já que, segundo o Sindicato, o frigorífico não tem cumprido os acordos que tem firmado com os funcionários.
Segundo o Sindicato dos 165 funcionários que entraram em férias no dia 23 do mês passado (fevereiro) e agora estão sob aviso prévio para serem demitidos no mês que vem, apenas 78 receberam as férias, quando todos deveriam ter recebido antes de entrar em férias e desses 78, 65 não teriam recebido os salários referentes ao mês de fevereiro.
Já os demais funcionários da empresa ao invés de receberem seus salários integrais, teriam recebido somente o correspondente a 22 dias do mês de fevereiro.
Demissões provocaram desolação
Quando o presidente do Sindicado dos Trabalhadores na Carne, Alcemar Rodrigues, transmitiu a informação sobre a demissão em massa dos funcionários e a paralisação das atividades do frigorífico o clima de desolação tomou conta dos funcionários.
Famílias inteira tiravam há anos, seu sustendo da empresa e agora estão sem empregos e ainda convivem com a incerteza sobre o recebimento de seus vencimentos.
Sindicato contrata assessoria jurídica para defender filiados
Visando garantir que todos os direitos dos trabalhadores sejam respeitados, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Derivados de Amambai contratou uma assessoria jurídica para dar apoio aos foliados.
As advogadas, Dra. Josilene Paulon e Dra. Jaiane Rosso, do Escritório de Advocacia Pimentel Fernandes da cidade de Dourados estão atuando cotidianamente junto aos funcionários, orientando de como devem proceder para garantirem seus direitos e receberem o que lhes é devido.
Segundo as advogadas, caso os acordos trabalhistas não sejam respeitados, os funcionários terão direito a ingressar com ações junto a Justiça do Trabalho e bens da empresa poderão ser bloqueados para saldar as dívidas trabalhistas.
“Caso a empresa não tenha bens em seus nomes os sócios são acionados para quitar as dívidas”, disse uma das advogadas ao ressaltar que o grupo Torlin Produtos e Alimentos Ltda está em nome de Jair Antônio de Lima.











