2009-03-24 14:16:00
Dirigentes políticos paraguaios relembraram, ontem (23), os 10 anos do suposto atentado contra o então vice-presidente do país, Luís María Argaña, que resultou em uma série de protestos e incidentes violentos que levaram, dias mais tarde, à renúncia do presidente Raúl Cubas Grau.
O ato central em memória de Argaña, organizado pela família, foi realizado no Cemitério da Recoleta, em Asunción, com a participação de representantes da ala “argañista” do Partido Colorado, da qual sairiam os dois presidentes que sucederiam Cubas no cargo: Luis Angel González Macchi e Nicanor Duarte Frutos.
Sobre a data, Nelson Argaña, filho do ex-vice e atual senador, confirmou a versão de que seu pai foi assassinado e afirmou, uma vez mais, ter provas de que os autores morais do suposto crime foram o general aposentado Lino César Oviedo e o ex-senador oviedista Víctor Galeano Perrone.
“Nós sabemos e temos provas pertinentes de que os autores morais foram Oviedo e Galeano Perrone, entre outros”, disse Argaña, citado pelo jornal La Nación. “Lamentavelmente, Nicanor negociou com Oviedo e torceu a justiça paraguaia a favor dos poderosos e endinheirados, para que não paguem por seu delito”.
Lino Oviedo, que entregou-se à justiça paraguaia após passagens por Argentina e Brasil e chegou a cumprir pena no presídio militar de Viñas Cué, conseguiu na Justiça, em 2007, o fim dos processos contra sua pessoa, fato que lhe permitiu concorrer à presidência do país nas eleições de abril de 2008.
De acordo com a versão oficial dos fatos, amplamente contestada, Argaña foi emboscado por atiradores e morto na manhã de 23 de março de 1999, no banco de trás de sua caminhonete, no momento em que se dirigia ao escritório da vice-presidência no centro da capital paraguaia.
Como autores materiais do suposto assassinato, foram apresentados Pablo Vera Esteche, Luis Rojas, Fidencio Vega, Reinaldo Servín e Constantino Rodas. Servín, Rodas e Rojas foram condenados a 25 anos de prisão, enquanto que Vera Esteche, por ter confessado, a 18. Vega encontra-se foragido.
Versão Alternativa
Antes de continuar a leitura, volte ao topo deste artigo e repare que a camisa de Argaña, conforme imagens exclusivas captadas pelas câmeras do canal SNT, no momento em que era retirado da cena do crime e transferido a uma ambulância, encontrava-se imaculadamente branca.
Tal fato, chamativo para quem acabara de receber pelo menos dois tiros na altura do peito, um deles, impactando no coração, foi o ponto de partida para investigações tornadas públicas, no Brasil, pela revista Isto É, apoiada em perícias e depoimentos de testemunhas da fatídica jornada.
Um deles é o paramédico Juan Manuel Cardozo González, que afirmou à revista que o corpo de Argaña “estava frio e rígido. Sua morte ocorreu várias horas antes”. Cardozo deixa entrever, ainda, que o atual senador Nelson Argaña tinha plena consciência da “rigidez anormal” do corpo de seu pai.
Extensas investigações, realizadas pelo jornal ABC Color, revelaram, nos anos seguintes, que boa parte das testemunhas apresentadas pela família Argaña teria recebido “benefícios” em troca de seus depoimentos, havendo, ainda, indícios de eliminação sistemática de peças-chaves para o esclarecimento do caso.
Uma das versões mais contundentes apresentadas até o momento dá conta de que Argaña teria morrido por problemas cardíacos, na noite anterior, enquanto encontrava-se no apartamento da apresentadora de televisão Fabiana Colmenares Casadío, que segundo o noticiário da época, seria sua amante.
A simulação de atentado teria sido planejada por membros da família e dirigentes colorados, nas horas seguintes, como forma de acelerar o processo de derrubada do presidente Cubas (aliado de Lino Oviedo), retornar ao poder perdido nas eleições internas do partido e entronizar Argaña como herói nacional.











