2009-02-18 09:20:00
A administração regional da Funai em Dourados estima que deverá retomar até sexta-feira a entrega de cestas básicas nas aldeias da região sul de Mato Grosso do Sul. O último carregamento está com a distribuição atrasada em 18 dias por conta de um protesto liderado por cerca de 40 índios das etnias guarani, caiuá e terena.
Os índios, que permaneceram 17 dias acampados em frente à sede do órgão –e que, segundo a Funai, vinham impedindo o acesso dos servidores ao prédio–, cumpriram ordem da Justiça Federal e deixaram o local ontem pela manhã. Mas disseram que vão seguir com a manifestação, que pede a exoneração da atual administradora, Margarida Nicoletti.
"O protesto vai ser mantido enquanto ela [Nicoletti] continuar no cargo e sobre isso não admitimos negociar", disse o líder terena Renato Jorge.
De Brasília, onde discute a situação com a presidência da Funai, Nicoletti disse que uma programação específica para a distribuição das cerca de 16 mil cestas básicas já foi colocada em andamento. "O atendimento normal só será retomado na próxima semana, mas a distribuição de alimentos deverá recomeçar na sexta-feira", disse.
A administradora disse que o atraso colocou algumas áreas em situação crítica. "Temos notícias de aldeias que estão em grandes dificuldades por falta de alimento. Há pessoas passando fome e as crianças estão perdendo peso. A situação é pior nos acampamentos, onde não há espaço nem sequer para lavouras de subsistência."
O índio caiuá Anastácio Peralta, representante da CNPI (Comissão Nacional de Política Indigenista), disse ter confirmado in loco o agravamento da fome. "Estive na aldeia de Passo Piraju [25 km de Dourados] nesta semana e constatei que eles só têm um pouco de milho, alguma mandioca e mais nada."
Farsa – A ligação entre o protesto e a não-distribuição de cestas pela Funai é "uma farsa", diz o terena Lucas Paiva, presidente da Associação Indígena Kateguá e um dos líderes do movimento.
"Nunca impedimos que distribuíssem as cestas. A administradora está fazendo isso para jogar os outros índios contra nós", afirmou Paiva.










