2009-02-06 07:07:00
A Fundação Nacional do Índio (Funai) postou nota na página da Internet afirmando que Margarida de Fátima Nicoletti está mantida no cargo de administradora executiva regional de Dourados. A nota faz ainda elogios à gestão de Margarida e atribui o protesto que pede seu afastamento a “um pequeno grupo”.
A nota não traz nenhuma declaração oficial atribuída ao presidente da Funai, Mércio Meira, ou qualquer outra autoridade da Fundação, mas está postada em destaque na página do órgão.
A decisão da Funai frustra movimento de um grupo de indígenas que há três dias acampa em frente ao prédio da Administração Regional de Dourados, já chegou a bloquear rodovia e exige a saída de Margarida. Não é o primeiro movimento contrário que ela enfrenta, e permanece no cargo. O prédio está lacrado.
Os indígenas das aldeias de Dourados, Amambai, Ponta Porã e Antônio João estão irredutíveis e prometem manter o acampamento. No final da tarde de ontem, horas depois da liberação da rodovia MS 156, de acesso entre Dourados e Itaporã, os manifestantes receberam representantes do Conselho dos Direitos dos Índios, ligado ao governo do Estado.
Eles estiveram no local do protesto para avaliar as condições em que os índios estão acampados e colheram assinaturas das reivindicações, que serão encaminhadas ao governo do Estado e ao Senado solicitando a intercessão junto à Funai, em Brasília.
Até a tarde de ontem, Os índios voltaram a falar em fechar a estrada, na saída de Dourados, nos principais acessos às aldeias Bororó e Jaguapiru e pontos estratégicos na Reserva.
LEIA NA INTEGRA A NOTA DA FUNAÍ:
A Administração Executiva Regional (AER) da Funai no Cone Sul, no estado do Mato Grosso do Sul, continua sob a direção da servidora Margarida de Fátima Nicoletti, que segue no comando da execução das políticas públicas do órgão indigenista, como representante máxima da Funai em Dourados.
A AER Cone Sul realiza uma administração transparente, em constante diálogo com a maioria das lideranças indígenas, que em parceria com a administradora desenvolvem ações sociais de acordo com a demanda das comunidades nas aldeias da região.
A Administração do Cone Sul atende às etnias Guarani Kaiowá, Guarani Ñandeva e Terena e um pequeno grupo de lideranças da etnia Terena querem assumir o comando da Administração. Por não representarem a maioria das lideranças e etnias, a Funai entende que a manifestação não tem legitimidade.
Devido à manifestação deste pequeno grupo, os trabalhos da Funai em Dourados continuam paralisados. Além da entrega das cestas básicas aos mais de 45 mil indígenas jurisdicionados pela AER do Cone Sul, a preparação para a safrinha (preparo do solo) e atividades rotineiras e administrativas estão prejudicadas.














